A educação como veículo de mudança na sociedade
Enviada em 03/01/2022
Na obra “O Príncipe”, do diplomata Nicolau Maquiavel, é postulada a ideia de que os governantes devem agir de modo a garantir o bem universal. No entanto, ao analisar a conjuntura brasileira, constata-se o oposto da premissa supracitada, pois a educação como veículo de mudança na sociedade se encontra fragilizada, instituindo um grave problema que, por debilidade reflexiva dos regentes e do corpo social, configura um estorvo que fere a dignidade isonômica. Nessa ótica, cabe verificar como a negligência governamental e a falta de informação constituem esse impasse no país.
Sob esse panorama, percebe-se que a sociedade não dispõe de meios que assegurem os direitos presentes na Constituição de 1988, a qual afirma, entre seus princípios, que todo cidadão tem acesso à educação eficiente. A priori, de acordo com Mc Sid, um dos maiores críticos da atualidade brasileira, o governo não investe nas causas essenciais da federação, fato que dificulta a consolidação da educação como veículo de mudança corporativa, em decorrência da carência de políticas públicas de valorização da área educacional brasileira. Nesse sentido, o desacato à Carta Magna, maior documento jurídico nacional, demonstra a negligência governamental disposta no país e o descaso com o público vigente, restringido do ádito dos benefícios sociais, por exemplo, a mobilidade social, proporcionada, geralmente, pela educação. Dessa forma, vê-se a ineficiência do Estado na garantia da satisfação coletiva, posto que ele descumpre seu dever assistencial.
Ademais, é perceptível a falta de conscientização informacional como mais um agente responsável pela calamidade em debate. Nesse contexto, é lícito citar o filósofo Platão, em sua obra “O Mito da Caverna”, a qual retrata uma sociedade manipulada e privada do conhecimento libertador, capaz de instituir um ser crítico e consciente. Com isso, análoga à metáfora predita, os brasileiros, sem acesso ao saber, sofrem perante a desinformação e, nesse viés, ficam à margem de enxergar a educação como veículo de mudança social, agravando os impactos do estorvo, isto é, a alienação e um modelo de castas. Logo, é indiscutível a importância das informações para reverter essa temática hodierna.
Portanto, fazem-se necessárias ações que abrandem esse quadro caótico. Assim, cabe ao governo federal, órgão com máxima administração executiva do país, a destinação de mais capital para a área educacional, mediante verbas do cofre público, com o fito de efetivar a educação como veículo de mudança social e, eventualmente, prevenir a violação dos direitos constitucionais. Além disso, ele deve providenciar campanhas que politizem a sociedade acerca do poder de transformação da educação. Deste modo, será possível minimizar o óbice em pauta e consolidar os preceitos da obra de Maquiavel.