A eficiência da política antidrogas brasileira

Enviada em 03/06/2026

De acordo com a ONU, o número de usuários de drogas no Brasil ainda é bem grande, sendo este um grave e complexo problema a ser resolvido, pois todos os anos muitos brasileiros morrem em decorrência da dependência química. Porém, sua solução não reside na execução das pessoas suspeitas de envolvimento com o crime de tráfico de drogas nos aglomerados, medida frequentemente adotada pelo Estado, tampouco na proibição do seu consumo pelos usuários.

Diante desse cenário, as operações policiais militares nas áreas marginalizadas não surtem o efeito pretendido de reduzir ou eliminar o tráfico porque a desigualdade social não é, ao menos, amenizada. Logo, segundo o historiador Gustavo Gaiofato, o crime, lamentavelmente, continua sendo uma alternativa de sobrevivência, uma fonte de recursos financeiros para aqueles que carecem de cuidado familiar, segurança alimentar, moradia digna e acesso à educação básica, como acontece nas periferias da capital do Rio de Janeiro.

Além disso, a demanda de quem paga pelas substâncias também se mantém mesmo que sua utilização seja criminalizada no país. Conforme Rita Von Hunty, isso se deve, infelizmente, à necessidade do indivíduo de se desconectar da realidade causadora do sofrimento psíquico. Isto porque essa realidade costuma ser marcada pela pressão produtivista e precarização do modo de vida no sistema capitalista, como se pode observar na região da Cracolância em São Paulo.

Portanto, ações estatais repressivas, como operações militares violentas e o endurecimento da legislação antidrogas, tendem a falhar, pois ignoram os fatores sociais e psicológicos que sustentam o consumo nesse mercado. Dessa forma, é necessário que o Estado financie programas sociais destinados tanto às pessoas envolvidas com a venda quanto àquelas que consomem drogas, por meio da oferta de moradia ou estadia em hotéis e abrigos, alimentação, acompanhamento em saúde e oportunidades de trabalho remunerado. Assim, seria possível reduzir tanto a criminalidade associada à desigualdade social quanto o consumo de substâncias psicoativas como mecanismo de fuga do sofrimento mental decorrente das pressões sociais contemporâneas.