A eficiência da política antidrogas brasileira
Enviada em 24/10/2019
O sociólogo Émile Durkheim compara a sociedade à um organismo biológico, cuja parte em disfunção ocasiona o colapso do sistema inteiro. Tal afirmativa reflete ao problema crescente das drogas no Brasil, o qual possui uma política ineficiente nesse combate. Ademais, apesar de constar na Constituição que todos têm direito à educação, há um descompasso entre a lei e sua eficácia.
A princípio, é imprescindível destacar a importância da educação na formação do indivíduo, tanto pessoal quanto profissional, corroborando com o pensamento do educador Paulo Freire de que “Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”. Entretanto, a qualidade do ensino no Brasil é proporcional a renda familiar, restringindo a possibilidade de ascensão social da população marginalizada, a qual muitas vezes enxerga o tráfico de drogas como o único caminho para o sucesso.
Outrossim, segundo uma pesquisa realizada pela Organização das Nações Unidas, o Brasil é o segundo país que mais consome cocaína no mundo. Nesse contexto, observa-se que a política antidrogas brasileira não é eficaz, pois ela visa mais a repressão do que prevenção do problema, o que contribui para sua perpetuação, assim como para o aumento da violência. Verifica-se, portanto, que os usuários necessitam de ações mais humanitárias, que tenham como objetivo sua reabilitação e reconstrução de perspectiva, para que eles se integrem à sociedade e não sejam tratados como anomalia.
Sob esse viés, para que o organismo proposto por Durkheim funcione adequadamente, é fulcral que o Estado invista na qualidade de ensino das escolas públicas, capacitando os professores e intensificando a fiscalização e o gerenciamento desse meio, para que todos possam ter as mesmas condições de inserção na faculdade e no mercado de trabalho. Junto a isso, as Organizações não governamentais devem ser responsáveis pela prevenção do uso de drogas, por meio de projetos que tratem os usuários e promovam sua socialização, além de integrá-los em projetos sociais, a fim de suprir o vício nessas substâncias e gerar uma nova perspectiva de futuro.