A eficiência da política antidrogas brasileira

Enviada em 16/04/2020

O documentário “Aeroporto: área restrita”, mostra a realidade aeroportuária brasileira no controle e na interceptação, principalmente, de drogas oriundas do tráfico. Nessa obra, ainda, exibem o aliciamento de pessoas à essas práticas de levar os entorpecentes, as quais são chamadas de “mulas”. Fora das telas, o contrabando está situado em todas as esferas da sociedade, por isso torna-se tão difícil combatê-la. Desse modo, haja vista a amplitude do problema e, ao mesmo tempo, o levante do debate da legalização dessas substâncias, urge analisar os impactos do seu uso ilegal e entender a importância da discussão do tema no país.

Mormente, segundo uma matéria da BBC, o narcotráfico está em primeiro lugar das atividades ilícitas mais lucrativas no mundo, seguidos dele estão: a falsificação, o tráfico humano, de petróleo e de animais. Além disso, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que meio milhão de pessoas morrem anualmente em decorrência das drogas, muitos deles, por ingerirem as substâncias tóxicas misturadas nesses produtos ou pela overdose, por exemplo. Nesse hiato, vale salientar que esse cenário já é conhecido no Brasil, inclusive, no âmbito cinematográfico com o longa metragem “Cidade de Deus”. Ademais, apesar dos esforços do Governo em políticas antidrogas, como o PROERD, a persistência delas vão na contramão daquela prevista oficialmente.

Sobre outro ângulo, de acordo com o pensamento defendido por Schopenhauer, o homem, em seu campo de visão limitado, admite o seu ponto de vista como sendo de um todo. Neste aspecto, pode-se inferir que, no que tange a utilização de entorpecentes, deve haver uma maior discussão democrática sobre uma possível legalização destes. Hodiernamente, no Brasil, apenas o tráfico e a plantação de maconha para fim comercial são considerados crimes, o uso para recreação, todavia, não é. De maneira análoga a essa posição legislativa controversa, seria como se usar, comprar e ter um carro fosse permitido, mas sua fabricação e venda fossem ilegítimas.

Destarte, faz-se mister o livre debate e a tomada de decisão nas políticas antidrogas no Brasil. Portanto, a sociedade deve levar a pauta, suas implicações e suas colocações por meio de assinaturas onlines, convenções em espaços públicos e manifestações pacíficas, aos servidores do Poder Legislativo para realizarem assembléias públicas. No que diz respeito ao tráfico e do aliciamento de jovens nele, necessita-se de políticas públicas mais abrangentes do que uma simples palestra periódica ao longo de uma vida escolar. Nesse caso, carece de uma educação sobre esses alucinógenos de forma interdiciplinar, como biologia e química, para que o aluno tenha ciência dos seus efeitos e afins. Desse modo, o indivíduo terá espaço nessa discussão, assim como liberdade em suas escolhas.