A eficiência da política antidrogas brasileira

Enviada em 29/05/2020

O século 21 traz novas perspectivas e desafios a serem enfrentados pelo governo brasileiro a respeito do consumo de drogas. Lamentavelmente, essa é uma realidade recorrente no Brasil, visto que, segundo o jornal Estadão, o tráfico e uso de drogas é o 2° crime mais comum na pauta da Justiça Militar. A ineficiência da política para combater o problema somada a uma certa romantização das drogas lícitas contribui para agravar a situação.

Estudos indicam que o número de usuários de drogas que morrem por homicídio é maior do os que morrem pela droga em si, isso reflete a inaptidão da polícia para lidar com tal realidade, uma vez que desconsidera o contexto em que este grupo está inserido. Esteriótipos são constantemente considerados neste aspecto, principalmente nas zonas periféricas. Grandes empresários também estão associados ao consumo de entorpecentes, mas são casos, na maioria da vezes, velados. Dentre os homicídios relacionados ao consumo e tráfico de drogas quantos são os empresários ricos e quantos são os negros residentes em favelas que aparecem no noticiário todos os dias? Além de pela Nova Lei das Drogas o usuário não poder ser preso (o que não justifica a atitude da polícia),  os programas antidrogas já existentes não fazem uso da violência para a sua reeducação, como por exemplo o Proerd e o De Braços Abertos.

Por outro lado temos as drogas lícitas. Dentre elas, o álcool, responsável por causar inúmeros danos a diversas áreas da sociedade, podendo ser considerado pior do que o crack ou a cocaína neste quesito. O consumo de bebidas alcoólicas é algo cultural e de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS) é o maior causador das mortes entre os jovens. O álcool se torna, na juventude atual, sinônimo de popularidade, uma forma de se encaixar nos ´´grupose serdescolado``. Entretanto, por que mesmo causando tantos danos a saúde humana e sendo responsável por destruir inúmeros lares brasileiros a droga continua sendo consumida e aclamada? Simples, o mercado cervejeiro movimenta 74 bilhões por ano no Brasil, respondendo por 1,6% do PIB nacional segundo a Fundação Getúlio Vargas. As propagandas continuarão associando a imagem do álcool a realização pessoal enquanto ele girar o mercado.

Em suma, é necessário que os governadores de cada estado brasileiro invistam em programas de reabilitação e reeducação dos dependentes químicos de modo a reintegrar este grupo de volta na sociedade e fiscalizar a sua procedência. Além disso, também é imprescindível que promovam campanhas que desestimulem o consumo de bebidas alcoólicas por jovens no país.