A eficiência da política antidrogas brasileira
Enviada em 14/06/2020
A política antidrogas no Brasil vem falhando de maneira evidente. Isso, é provado nas diversas estatísticas demonstradas em pesquisas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e de instituições do movimento negro como a SouAfro, que mostram que além de não conseguir diminuir o tráfico de drogas, a violência só aumenta. Por isso, faz-se necessário entender os motivos que levam o país à uma “guerra” ineficiente contra as drogas.
Nesse contexto, vale ressaltar uma pesquisa feita pelo IBGE, que verificou que: desde a implementação da lei antidrogas de 2006 (Na qual, faz-se uma diferenciação entre usuário e traficante baseado no quantitativo de droga portada), houve um aumento de 67% nas mortes oriundas de embate entre policiais e traficantes. Além, de que os números percentuais de tráfico aumentaram em até 45%. Isso, demonstra que alguns do efeitos mais diretos da lei foi o aumento do tráfico de drogas e aumento da violência na “guerra ao tráfico”. Ou seja, na prática policiais e traficantes morrem mais e o tráfico só aumenta.
Além do já citado, outro fator importante precisa ser analisado, é o racismo dessa guerra. A instituição SouAfro fez um levantamento e demonstrou que das mortes oriundas do comércio ilegal de drogas, 71% são de pessoas negras. Contudo, as pessoas pretas representam 43,2% das apreensões. Logo, significa dizer que quando se trata de pessoas pretas, o Estado prefere mata-las a prendê-las. Isso evidencia que talvez, a “guerra” não seja contra as drogas, mas sim contra os negros e pobres do Brasil.
Infere-se que é imperativo que o Estado atue para mudar o cenário atual. pode-se citar como medidas: elaboração de projetos de legalização de algumas drogas, como a maconha. Dessa forma, espera-se que diminua os confrontos e em consequência o número de mortos, tanto de policiais como de negros. Além de alteração na lei de 2006, especificando a quantidade de droga que é considerada tráfico, pois hoje o que dita se é usuário ou traficante não é a quantidade e sim a cor de quem porta a droga.