A eficiência da política antidrogas brasileira

Enviada em 15/06/2020

Setenta e um por cento das mortes oriundas do combate ao tráfico de drogas são de jovens pretos. Isso, segundo dados da instituição SouAfro. Além disso, a polícia brasileira (que é composta em grande parte de pretos) é a que mais morre no mundo, como afirma a Associação Brasileira de Policiais. O tráfico continua, os policiais (muitos deles pretos) morrem, os jovens periféricos e pretos morrem. Logo, parece que não existem um combate as drogas de fato e sim um combate aos pretos e pobres do país.

Nesse contexto, é importante compreender alguns dados. Segundo o Ministério da Justiça, as taxas de tráfico de drogas continuam em ascensão, de 2007 a 2018, houve um aumento de 67% no comércio ilegal de drogas. Dados como esse, evidenciam a ineficácia da lei anti drogas de 2006 (lei que aumenta o tempo de prisão para o traficante e faz uma diferenciação entre traficante e usuário de acordo com a quantidade de droga apreendida). Pois, após a criação da lei, aumentou o tráfico e as mortes nessa guerra ao tráfico também cresceram, segundo o próprio Ministério, houve um aumento de 46% no número de mortes em decorrência do embate entre policiais e traficantes.

Além do já citado, outro fato corrobora para a ideia de ineficácia e de racismo estrutural nessa guerra as drogas. Como, a SouAfro demonstra na pesquisa onde relata que 45% das pessoas apreendidas como traficantes são pretas, contudo, 76% das condenados são pretos. Ou seja, são minoria nas apreensões, porém maioria nas condenações, pois o que de fato importa não é o crime e sim a cor do acusado.

Diante do exposto, infere-se que é imperativo que o Estado mude sua conduta no combate as drogas. Como exemplo de mudança eficaz, pode-se citar: legalização da maconha, que é um dos principais entorpecentes traficados e apreendidos. Dessa forma, se espera que diminua a quantidade de embates entre traficantes e policiais e em consequência diminua o genocídio do povo preto. Enquanto não se mudar a politica anti droga do país, quem continuará a sofre será o preto e pobre.