A eficiência da política antidrogas brasileira
Enviada em 05/11/2020
Na obra “A Odisseia”, poema épico da Grécia Antiga, é relatado o consumo da flor de lótus, que tornou os indivíduos dela dependentes e, consequentemente, o fizeram perder a percepção do tempo, em função de seus efeitos psicoativos. A dinâmica da obra se faz presente na sociedade brasileira por meio do elevado consumo de drogas e, logo, da adição populacional a esses produtos. Dessa forma, há dois fatores que não podem ser negligenciados: os desafios encontrados na política antidrogas brasileira e a necessidade de fazê-la ser eficiente.
Sob essa perspectiva, é válido apontar que o consumo de drogas no cenário nacional está intimamente conectado com a dependência química por ela causada. A partir disso, o vício nas substâncias psicoativas passa a ser um problema de segurança e de saúde pública, uma vez que os cidadãos afetados são passivos de suporte e de tratamento hospitalar. Ademais, também é importante ressaltar que a guerra às drogas - intervenção militar no combate ao comércio de ilícitos - é ineficiente, haja vista que ela é uma medida geradora de Violência Simbólica - definida pelo sociólogo francês Pierre Bourdieu como uma violência geradora de danos psicológicos e morais - já que tal medida segrega e marginaliza os dependentes químicos.
Consequentemente, a estratégia usada na guerra às drogas não é eficaz para superar a demanda exigida para superar tal problemática. Logo, a agressão exposta por Bourdieu torna-se uma forma de inferiorizar e de oprimir a população que vive essa realidade, vindo, assim, a potencializar os danos causados por esse contexto de vida - como as condições insalubres de moradia e no consumo dos ilícitos, haja vista que não foram oferecidas medidas sanitárias para solucionar esse problema. Prova disso é a Cracolândia - espaço ocupado por moradores de rua, na cidade de São Paulo, em condição de dependência psicoativa - que passa por diversas tentativas de higienização, por parte do Governo, majoritariamente ineficientes, em função da ausência dos recursos necessários supracitados.
Portanto, a fim de melhor garantir condições eficientes no combate às drogas, cabe ao Governo Federal, junto ao Ministério da Saúde, oferecer tratamento aos dependentes químicos e possibilitar a ressocialização destes. Tal medida será feita por meio da construção de clínicas de reabilitação que, junto ao tratamento, oferecem, também, terapia ocupacional e comportamental, uma vez que é preciso curar a adição do indivíduo e, também, assegurar que ele saberá controlar seus comportamentos quando retornar ao convívio em sociedade. Assim, rompendo com os impactos da Violência Simbólica, será possível construir uma sociedade mais segura, justa e humanizada para todos os cidadãos brasileiros.