A eficiência da política antidrogas brasileira

Enviada em 06/01/2021

Brás Cubas,o autor defunto de Machado de Assis, diz em suas ‘‘Mémorias Póstumas’’ que não teve filhos e, portanto, não transmitiu a nenhum ser o legado de nossa miséria. Talvez hoje ele percebesse acertada sua decisão: uma forte política repressiva ás drogas é adotada pelo Brasil mesmo essa se  mostrando ineficaz no combate. Nesse contexto, nota-se a necessidade de debate que priorize outros meios de resolução que tenham ênfase em questões sociais e de saúde pública.

Em primeiro lugar, é importante salientar que as drogas fazem parte da história da humanidade e os seus usos variam quanto a finalidade, podendo ser de conduta recreativa , terapêutica ou espiritual. Dessa maneira, conclui-se então que são uma construção social, sendo algumas estigmatizadas e enquadradas como ilegais. Á vista disso, as ilícitas por serem na maioria das vezes sintéticas, detém maiores probabilidades de levar ao vício e dada a complexidade dos problemas ocasionadas ao seu uso, tanto em esferas sociais, familiares, públicas, pessoal e de saúde, é primordial o estabelecimento de políticas que visem a prevenção e tratamento.

Consoante, Carlos Drummond expôs em um de seus poemas que existem situações na vida que se comportam como pedra, ou seja,um empecilho. Logo, para remover tais obstáculos que impençam a consolidação de uma politica efetiva no controle de narcóticos, é necessário abster-se da repressão e excessos como vistos atualmente , além da exclusão de pré-conceitos e a adoção de empatia para com os usuários, como também a admissão de práticas como a de redução de danos, que nada mais é que uma ética do cuidado que visa o melhoramento da qualidade de vida do usuário, além da prevenção por meio de programas governamentais como o  PROERD (Programa Educacional de Resistência ás Drogas e Violência).

Conforme exposto, fica evidente quão empobrecedora é a guerra ás drogas que usa artificios como a violência, uma vez que nada corrobora para resolução ou amenização sobre a questão. Em razão disso, ações que evitem sua ocorrência são de grande valia, o poder governamental e a sociedade devem cooperar, respectivamente, na execução de prevenção, de políticas de redução de danos e a sociedade cabe desmistificar tabus, conhecer a severidade desse tipo de tóxico e ter o devido respeito e empatia para com os usuários. Tais ações impedem uma guerra sem precedentes e dão lugar a um combate consciente e cauteloso as drogas, criando assim, um legado do qual Brás Cubas pudesse se orgulhar.