A eficiência da política antidrogas brasileira

Enviada em 14/01/2021

Difração

Sob a ótica do filósofo Michel Foucault, a sociedade detém um caráter punitivista onde a penalidade é primordial. Nesse sentido, tal fato retrata o panorama hodierno brasileiro, dado que, o escasso investimento governamental na investigação das fontes das organizações criminosas e a ínfima mentalidade de ressocialização proporciona com que a política antidrogas se torne mera ferramenta de uma punição vaga sem um propósito efetivo para a evolução do grupo social. Dentro dessa lógica, é fundamental discutir os elementos que nutrem a inoperância da estrutura contra as drogas.

Deve-se pontuar, de início, a face perversa da falta de recursos públicos na polícia investigativa para o combate ao tráfico. Na época coronelista da primeira república brasileira havia maior preocupação dos líderes políticos na manutenção do poder do que com os interesses coletivos sociais. Tal conjuntura reflete a realidade atual, pois o Estado não analisa estratégias eficientes para o bem-estar social no que se refere a residual investimento em investigação nas raízes das organizações criminosas. Dessa forma, o tráfico de drogas se torna contínuo e permanente retratado na apreensões frequentes de cocaína e entorpecentes nas fronteiras.

Outrossim, além de fatores financeiros, há um pensamento segregador que ignora a preponderância da ressocialização. Segundo o filósofo Nobert Bobbio, a indiferença já é característica intrínseca da população. Nesse cenário, a ausência do sentimento empático se torna fator repulsivo para a reinserção de pessoas que já obtiveram ou detém dependência química. Diante desse contexto, uma comunidade que exclui ocasiona a potencialização da permanência de indivíduos nas drogas pela falta de apoio, o que gera a conservação de um grupo vulnerável e à margem da sociedade.

Fica nítido, portanto, que ,de acordo com a lógica de Michel Foucault, o meio social reproduz um ambiente punitivo oco em que há  o crescimento das drogas por investigações ineficientes e uma ressocialização escassa. Nesse prisma, é vital que o Ministério da Economia, pela Secretaria da Fazenda e por meio de repasses financeiro suplementares para o orgão da Polícia Civil, invista em ferramentas tecnológicas periciais e aumente o número de Delegacias especializadas a fim de cortar as raízes dos grupos criminosos por uma investigação mais competente. Ademais, que a mídia televisiva mediante a construção de ficções engajadas, como novelas e séries, demonstre a relevância da reinserção social para que dependentes químicos tenham mais facilidade de sair do espaço das drogas e não sejam excluidos. Com esses atos, ocorrerá a difração, termo da física referente a ultrapassar obstáculos, de uma política antidrogas eficaz ao empecilho do castigo deliberado.