A eficiência da política antidrogas brasileira
Enviada em 20/02/2021
No complexo combate às drogas, os países sempre encontraram diversas barreiras. Algumas delas são impostas pelas dificuldades intrínsecas a esse problema, outras, inventadas pela própria sociedade. Nesse sentido, a realidade brasileira permite afirmar que a visão punitivista do país é responsável pela ineficácia de suas politicas antidrogas.
Em primeiro lugar, a ineficiência dessa forma de ver a guerra às drogas pode ser percebida no evento de ocupação do Complexo do Alemão (Rio de Janeiro), ocorrida e transmitida ao vivo no início da presente década. Em tal evento, os telejornais alardearam diante de toda a população uma suposta “guinada” da guerra às drogas, criando no imaginário coletivo a ideia de que o combate ao tráfico era uma questão de força por parte do Estado. Entretanto, viu-se, após as ocupações, o abandono estatal dos morros “pacificados” e, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro, o aumento vertiginoso do tráfico de drogas desde então. Esse ocorrido, dentre tantos outros, mostra o quão estéril é para a sociedade que o Estado pense o combate às drogas como um questão de punição, além de apenas alimentar uma mídia mais comprometida com a audiência que com a responsabilidade social.
Ademais, pode-se dizer que a visão punitivista visa antes atender a um interesse de classes, que resolver o problema. Segundo o rapper paulista Eduardo Taddeu, o combate às drogas consiste numa grande estrutura de repressão às populações periféricas, que são vistas como escolho social pelas classes abastadas. De acordo com o mesmo autor, não há tanto interesse por parte das autoridades públicas - composta majoritariamente de bem-nascidos - de se resolver o problema quanto o de manter essa parcela da população impossibilitada de “atrapalhar’ a ordem social. Um exemplo arguido pelo autor foi a supracitada mobilização de forças policiais no Rio de Janeiro, que teve por único objetivo impedir contratempos na Copa do Mundo de 2014, deixando o problema social das drogas totalmente para segundo plano.
Posto isso, convém pensar em meios de se superar essa visão punitivista que, além de não resolver o problema das drogas, aprofunda mazelas sociais nas periferias. Desse modo, é necessário que o Ministério da Educação faça uso da matéria de Sociologia dada no ensino médio para educar a juventude sobre esse problema. Tal medida precisaria ser feita aumentando a carga horária da matéria bem como cuidando em contratar professores graduados em Ciências Sociais. Isso em vista de fazer com que os futuros governantes aprendam a lidar com o problema da guerra às drogas de forma mais científica e menos passional.