A eficiência da política antidrogas brasileira
Enviada em 16/03/2021
Consoante a visão do filósofo Aristóteles, a ciência política se sobressai com relação as outras, estando ela para o exercício do bem coletivo. Entretanto, esse pensamento não condiz com a realidade brasileira, haja vista que é notório pouca eficiência da política antidrogas, pois é comum observar o crescente avanço desses entorpecentes nas ruas. Nesse contexto, deve-se analisar não só a mentalidade enraizada da sociedade, mas também o desleixo governamental.
Em primeira análise, é cabível pontuar que o individualismo se sobrepõe em detrimento do coletivismo. De acordo com o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, vive-se em uma modernidade líquida, na qual as relações são fluidas, voláteis e não foram feitas para durar. Sob esse viés, é de extrema importância correlacionar a sociedade líquida com a ineficácia da política antidrogas no país, posto que a sociedade determina como é o modo de falar, vestir, agir e até mesmo o local que os traficantes residem, conseguindo, portanto, estipular um padrão, que muitas vezes, é errôeno, o que causa uma subversão de valores e marginalização daqueles, que simplesmente são apontados pela sociedade como contrabandistas. Consequentemente, com esse tipo de visão, fica mais fácil para os grandes chefões do tráfico, que na maioria das vezes são pessoas com alto padrão de vida, conseguirem ludibriar as acusações, dado que são bem vestidos, possuem dinheiro e não tem a aparência posta pela população.
Soma-se a isso, a negligência governamental no que tange às políticas públicas para combater o uso de drogas. Segundo o contratualista John Locke, o homem cede parte dos direitos individuais ao Estado, para que este possa garantir o cumprimento dos direitos coletivos. No entanto, é perceptível, que, mais uma vez, o Estado se mostra ineficaz no que se diz respeito garantir os direitos essenciais à vida. Com isso, é fácil perceber que a política repressiva ganha lugar em cima da política que visa à saúde e o bem-estar da população. Como consequência dessa política opressora, dificulta, cada vez mais, o tratamento adequado de pessoas que sofrem problemas por consumirem essas substâncias químicas, por exemplo.
Logo, entende-se que a problemática urge por medidas interventivas, pois fere com o bem-estar social. Dessa forma, o Ministério da Educação deve valorizar o âmbito estudantil, como forma de instruir os alunos que para consumir ou vender drogas, não depende da condição social, nem o modo de como vestir ou agir, por meio de palestras e eventos elucidativos que incitem os educandos a romper com o padrão imposto pela sociedade nesse âmbito, visando quebrar esse paradigma. Cabe ao Estado, ampliar as políticas públicas e diminuir a repressão usada pelos policiais. Assim, é possível alcançar uma sociedade que esteja para o exercício do bem coletivo, como pautava Aristóteles.