A eficiência da política antidrogas brasileira
Enviada em 16/03/2021
A série Elite, desenvolvida pela Netflix, aborda vários temas pertinentes, e dentre eles está uma importante pauta: A relação da sociedade com as drogas. No decorrer dos episódios, nota-se a diferença do tratamento do problema em função da classe social dos usuários, apontando que os mais privilegiados têm um tratamento mais humanizado, e, consequentemente, uma recuperação mais eficaz. Trazendo essa ótica para o Brasil, percebe-se que deve haver uma maior problematização acerca da eficiência da política antidrogas brasileira a fim de que aconteçam mudanças.
Sob essa ótica, é importante enfatizar a apatia da sociedade frente à populaço dependente química, fato observado pelo Padre Júlio Lancellotti, que analisa a situação de dependência não como causa, mas sim como consequência de questões como a abordagem conflitante, a situação de refúgio urbano e vulnerabilidade social. Ainda de acordo com o clérigo, a pobreza, a desigualdade social e o racismo também são fatores que levam à vida de rua, fator favorável ao uso de drogas.
Além dessa entrave de problematização social, a situação deve ser encarada como problema de saúde pública. Nesse contexto, a direrora geral da Organização Mundial de Saúde, Margaret Chan, afirma que trata-se, não de uma questão de polícia, mas sim de uma questão de saúde pública. Nessa linha de raciocínio, evidencia-se que a ineficiência do combate às drogas deve-se a uma maneira errada da elaboração de metodologias de abordagem, que devem sair de um âmbito penal e passar a ter maior caráter de responsabilidade para com a saúde do corpo social. Em concordância com a tal, o pesquisador Maurício Fiore, coordenador científico da Plataforma Brasileira de Política de Droga, afirma que o problema é mais complexo e que necessita de políticas de regulamentação.
Portanto, a fim de ter uma maior eficácia nas políticas antidrogas já existentes, que deve ser de interesse não só do Estado, mas também da parte civil da população brasileira, evidencia-se a necessidade de adequação dos métodos de enfrentamento às metodologias mais humanizadas, através de agentes e profissionais de saúde, criando um vínculo com a vítima do vício para que o feitor tenha uma maior abertura de diálogo, sem perder a profissionalidade, fazendo um maior impacto, como afirmam pesquisas já existentes, assim, promovendo resultados mais satisfatórios trazendo uma eficácia maior das políticas antidrogas.