A eficiência da política antidrogas brasileira
Enviada em 28/07/2021
‘‘Ainda vai morrer muito inocente, meu parceiro’’. Tal frase atribuída ao personagem, Capitão Nascimento, no longa de sucesso ‘‘Tropa de Elite’’, traça um paralelo à realidade brasileira no que tange a política antidrogas no Brasil. No longa, o Poder Público apresenta-se intimamente envolvido no tráfico de narcóticos, por meio da corrupção e lavagem de dinheiro. Nesse sentido, à obra faz cirúrgica semelhança ao contexto das drogas no Brasil, cuja origem da problemática se deve na própria ineficiência do Estado em combater a corrupcão no núcleo do poder, e consequentemente, à guerra às drogas em âmbito nacional.
Em primeiro lugar, deve-se ater à discussão as causas primárias desse óbice no corpo social brasileiro. Para tanto, é pertinente trazer à narrativa a obra, O Leviatã, do célebre filosófo Thomas Hobbes, onde o autor discorre sobre o papel do Estado em garantir o bem-estar da população ao honrar com o Contrato Social firmado em conjunto com o coletivo. No entanto, nota-se íntima contradição ao se analisar o papel do Poder nos seguintes exemplos da discussão acerca da política antidrogas: aplicar penas altas para os narcotraficantes, mas não oferecer subsídios, como cursos profissionalizantes, para quando o acusado entrar em liberdade, o que oferece como única opção o retorno ao tráfico, não oferecer assistência médica de qualidade para os usuários, nem mesmo opções de entrada no mercado de trabalho, visto que a maior parte se encontra em situação de rua e, por fim, não combater a fonte do tráfico: a política corrupta que sustenta a estrutura do tráfico nas grandes capitais.
Em segundo lugar, deve-se discutir às consequências dessa problemática e seus impactos profundos no núcleo social brasileiro. Para afirmar tal argumento, traz-se a máxima do líder Martin Luther King:’’ A injustiça num lugar qualquer, é ameaça à justiça em todo lugar’’. Ou seja, ao se isentar de suas obrigações para com a sociedade, garantir sua segurança e seus direitos, o Estado permite que a mesma seja reprimida pela violência em decorrência do tráfico, mílicias e insegurança constante de exercer o direito de ir e vir, em especial em grandes capitais brasileiras, a exemplo de São Paulo e Rio de Janeiro, que abrigam as maiores facções do País.
Visto isso, urge que a Polícia Federal, em seu papel de preservar a ordem pública, inicie a operação Drogas da Elite, em parceria com secretarias de segurança pública estaduais, com o fito de investigar suspeitos políticos e ligados ao Poder, que estejam envolvidos em esquemas de corrupção que sejam sustentados pelo tráfico, para que assim, seja possível mitigar a fonte de verbas das facções, para que o seu desmembramento seja facilitado, garantindo que a máxima de Hobbes seja, enfim, respeitada.