A eficiência da política antidrogas brasileira
Enviada em 06/08/2021
A série “Narcos”, produzida pela “Netflix”, mostra de maneira clara o funcionamento das redes de drogas na Colômbia, apresentando que o tráfico é uma das principais causas dos altos números de mortes do país. Trazendo essa realidade para o contexto brasileiro, é possivel perceber que não há muitas diferenças, visto que muitas periferias pelo país estão “dominadas” por traficantes de drogas, que resultam em uma população com medo e a mercê da violência. Isso se dá, principalmente, pelo fato do Estado não intervir de maneira correta no consumo e na venda de drogas, além de ter um sistema penal falho, que por sua vez, não mantém os infratores encarcerados devido a condenações consideradas “leves”.
Primeiramente, é preciso frisar que, aqueles que se encontram em condições de dependência química, muitas vezes preferem não se internar em clínicas de reabilitação, devido as condições precárias na qual se encontram, e quando optam pela terapia, acabam voltando a consumir drogas, deixando claro que o tratamento não está sendo realizado de maneira correta. De acordo com o Ministério da Saúde, cerca de 15% dos tratados contra o uso de drogas se mantém “limpos” durante o resto da vida.
Ademais, um relevante ponto a se ressaltar, são os precários investimentos no sistema penal por parte do Estado. Mesmo que o crime de tráfico de narcóticos seja inafiançável, as penas dadas aos criminosos raramente são cumpridas. Ao alcançarem a pena em regime semiaberto, acabam fugindo e voltando para o mundo do crime. Além disso, é preciso não apenas focar naqueles que comercializam as drogas, é necessário que aqueles que fazem uso também sejam fiscalizados, pois, muitos ao se tornar dependentes dos entorpecentes, abandonam empregos e familia, não tendo outra escolha a não ser cometer crimes para pagar o que consomem.
Logo, em virtude dos fatos apresentados, fica clara a necessidade de intervenção por parte do Estado nesse problema. É preciso que o Governo Federal, juntamente ao Ministério da Saúde, crie um programa de construção de clínicas gratuitas de reabilitação, além de reformar as já existentes, melhorando as condições daqueles que optam pelo tratamento. Além disso, é preciso que haja um acompanhamento pós tratamento dos pacientes, sempre reforçando a importância de se manter sem usar drogas e apresentar o seu progresso. Outrossim, é preciso que os Governos Estaduais e Federais, juntamente com o Ministério da Educação, crie programas de incentivo à ressocialização de detentos, oferecendo aulas, ministradas por professores escolhidos através de concursos públicos, evitando que os condenados retornem à “vida do crime”. Desta maneira poderemos resolver esse grande problema.