A eficiência da política antidrogas brasileira

Enviada em 22/09/2021

Historicamente, a lei Áurea, sancionada em 1888, foi responsável pela proibição do trabalho escravo, a qual transformou a estrutura econômica do Segundo Reinado. No entanto, o término da escravidão não proporcionou a inclusão desses indivíduos no mercado de trabalho, pelo contrário, houve a expulsão dos negros das senzalas, e o início da inserção dos recém libertos às áreas mais marginalizadas das cidades. Desse modo, o método de sobrevivência encontrado por essas populações referem-se, principalmente, à violência e ao tráfico de drogas. Portanto, mesmo com o passar dos anos, a eficiência da política antidrogas no Brasil é insuficiente, visto que, todo o início e crescimento da prática criminosa, deve-se à má administração pública relacionada aos meios de combate à desigualdade e ao poder de banalização do uso de entorpecentes pela mídia.

A princípio, o músico Criolo, negro e nascido em uma área periférica de São Paulo, retratou, com a música “Duas de Cinco”, a realidade da comunidade pobre em meio ao descaso governamental relacionado ao uso de drogas e violência, a partir do segmento, “Um governo que quer acabar com o crack mas não tem moral pra vetar, comercial de cerveja”. Logo, a banalização do uso de bebidas, graças ao lucro proporcionado pela comercialização legal, promove o aumento do consumo e transfere aos indivíduos o ideal de normalização utilizar do álcool em momentos de laser. Do mesmo modo, o cotidiano vivenciado pelos jovens, em meio ao tráfico nas áreas marginalizadas, torna a realidade do uso de drogas natural, como uma propaganda que é assistida pelos indivíduos mais privilegiados economicamente, na televisão.

Nesse sentido, o sociólogo Émille Durkheim, ao analisar o comportamento das sociedades, verificou a existência do “Fato Social, intitulado pelo cientista, como toda característica que se repete nas diversas sociedades com o intúito de normatizar o comportamento social. Assim, a realidade existente entre os pobres, desde a libertação dos escravos, modela as ações dos indivíduos, ou seja, a manutenção da desigualdade social e da visibilidade absurda do uso de drogas torna o indivíduo mais suscetível a aderir determinado comportamento.

Afinal, é imperioso para sanar à ineficiência da política antidrogas, que o Governo Federal institua uma nova lei, para as empresas, de prioridade à contratação de indivíduos que vivenciem a desigualdade cotidianamente, como ex presidiários, desempregados e moradores de periferia. Para isso, torna-se necessário que o governo envie, para cada local, profissionais formados em Recursos Humanos, que analisem os currículos e os documentos de cada indivíduo requisitante do emprego. Somente assim, ocorrerá o combate à desigualdade e a fragilidade da política antidrogas no Brasil.