A eficiência da política antidrogas brasileira

Enviada em 18/10/2021

No que tange à eficiência da política antidrogas do país, é muito óbvia a falta de resultados apresentados pelo Estado na resolução dessa situação. Esse quadro é evidenciado pelo número de usuários de drogas no Brasil que, em 2021, segundo o Ministério da Saúde, cresceu mais de 110%, e paralelo a esses dados o Estado insiste em medidas protofascistas ineficientes no combate à droga.

Em primeiro lugar, o cerne da ineficiência do combate às drogas no país está no próprio combate. No Brasil, são adotadas ações de enfrentamento que tomam como causa do problema a própria criminalidade. Essa análise já é ontologicamente incoerente, mas, no campo da Criminologia, também há uma resposta para isso. Segundo o criminólogo Alexandre Baratta, a questão das drogas é imanente ao sistema social na qual existe, dessa forma, o sistema de desigualdade presente no Brasil fundamenta e cria o tráfico de drogas, o vício em substâncias químicas e toda a violência proveniente dessa dinâmica social de uso de narcóticos.

Num segundo momento, as consequências dessa ineficiente e estúpida guerra às drogas se tornam problemas quase que independentes. Uma vez que a ação do Estado esta entranhada em preconceito, racismo e iniquidade de julgamento, o sistema penal acaba marginalizando pessoas que antes já eram segregadas e por esse mesmo motivo foram levadas ao mundo do tráfico. A maior exemplificação desse processo sequencial é a demografia da população carcerária, que, não por coincidência, é composta em maioria por pessoas pobres, negras e acusadas de tráfico de drogas.     Assim sendo, fica provada a problemática que envolve a postura adotada pelo Estado brasileiro em relação às drogas. Logo, o Estado, que é o agente garantidor de igualdade social, deve combater o uso de drogas de maneira mais eficiente, por meio da expansão de redes de tratamento a viciados, tratando todos a de maneira igual, a fim de melhorar a saúde pública do país.