A eficiência da política antidrogas brasileira

Enviada em 28/10/2021

O filme “Tropa de elite” é uma representação fidedigna da realidade brasileira no tangente as políticas públicas de combate as drogras, expondo toda a crueldade do aparato repressor do estado. Nesse viés, percebe-se a ineficiência das medidas antidrogas postas em prática no Brasil e seus desdobramentos negativos- sobretudo- para as pessoas menos favorecidas. Posto isso, dois motivos se destacam na manutenção desse nocivo cenário: a maneira com a qual o Governo Federal aborda a população e a imagem construída pela mídia em relação a esse problema.

Em princípio, é fundamental perceber como a abordagem proposta pelos poderes públicos, agressiva e truculenta, é ineficiente no combate às drogas. À vista disso, a perspectiva adotada pelos governantes brasileiros na solução dos problemas sociais sempre foi uma de confronto, marcada pelo uso da respressão e da violência, sendo bem sintetizada na célebre frase de Washington Luiz: “A questão social no Brasil é um caso de polícia”. Dessa forma, essa “guerra às drogas” se configura mais como um aparato de perseguição estatal contra as classes mais probres da sociedade do que em uma genuína tentativa de “vencer” esse tráfico, perpetuando uma lógica de agressão e desrespeito a dignidade do cidadão.

Outrossim, a imagem criada pelos meios midiáticos é outro importante fator que dificulta a implementação de medidas mais eficazes no combate às drogas. Diante disso, é notória a figura amedrontadora criada pelas redes de televisão em relação aos tráficantes, sempre mostrados como indivíduos de classe baixa e de pouca escolaridade, ignorando o fato de eles não serem os verdadeiros mandantes do crime, ou seja, não representa de forma fiel os verdadeiros chefes do tráfico. Dessa maneira, ela fomenta um concepção errônea no imaginário popular de como as polítics antidrogas devam operar, incutindo o medo nas pessoas e levando-as a apoiar medidas repressivas e violentas que não atingem o crime nos seus níveis hirárquicos mais elevados.

Convém, portanto, que medidas sejam tomadas para mitigar a problemática. Sob essa conjectura, o Governo Federal deve mudar suas políticas antidrogas e se basear em outros países, como Portugual, promovendo um gradual processo de descriminalização das drogas, começando pelas mais leves como a maconha, a fim de diminuir os confrontos entre a polícia e o tráfico, conduzindo a sociedade a uma resolução mais pacífica e mais eficiente na questão do uso de entorpecentes. Ademais, é preciso que a Mídia mude a forma com a qual ela representa o traficante, dando mais foco no alto clero do crime organizado com o fito de desarticular a figura nociva criada por ela no imaginário popular, conscientizando a população da verdadeira ameaça à segurança pública.