A eficiência da política antidrogas brasileira
Enviada em 08/02/2022
Segundo o sociólogo Émile Durkheim, existem fatos sociais normais e patológicos, sendo que estes últimos causam danos à coletividade. Nesse sentido, a exiguidade de eficácia da política antidrogas brasileira é um fato social patológico, configurando-se como extremamente danoso para a população. Sob esse viés, essa grave mazela não acontece somente devido à omissão estatal, mas, também, por causa da negligência da mídia.
Nesse panorama, o descaso do poder público é um imperioso promotor da escassez de eficácia da política antidrogas brasileira. Sob essa ótica, de acordo com o contratualista Thomas Hobbes, os indivíduos aceitam sair de seu estado de natureza para viverem em melhores condições, ao assinar o Contrato social. Diante disso, o desleixo do Estado é uma perigosa quebra do Contrato social, porque, em vez de legalizar as drogas e colocar uma carga tributária alta, desestimulando o consumo, opta pela criminalização do comércio delas, sendo uma política pública que, indubitavelmente, não funciona, como atestado pelo fato de os Estados Unidos serem um dos maiores consumidores de drogas (dados da Organização Mundial da Saúde), mesmo tendo investido, segundo o “Federal Reserve”, duzentos e dez bilhões de reais desde o aumento do uso de drogas na década de oitenta. Nessa perspectiva, o poder público é inoperante nessa situação, já que usa de de formas ineficazes de combater a questão do uso de drogas, como o encarceramento.
Ademais, o insuficiente foco da imprensa é um notório incentivador da ineficácia da política antidrogas brasileira. Sob esse prisma, consoante à filósofa Simone de Beauvoir, os principais problemas são aqueles que são naturalizados. Dessa forma, a desatenção dos meios de comunicação à ineficácia da política antidrogas brasileira é uma alarmante banalização de um empecilho urgente, pois não do seu contato com a comunidade para expor as adversidades que assolam o país, como o fracasso da condução da política antidrogas brasileira e, assim, deixa como legado uma passividade social de um povo sem informação sobre o tema. Nesse viés, a mídia é criminosa nessa situação, já que não cumpre a sua função social.
Portanto, para que haja uma maior eficácia da política antidrogas brasileira, os congressistas devem, com o apoio da opinião pública, destinar recursos para a criação de uma equipe de formas alternativas de combater as drogas, como a legalização, por meio da sanção do presidente, a fim de tornar o país melhor e, consequentemente, próspero. Além disso, a imprensa deve, com a ajuda da iniciativa privada, criar uma campanha de conscientização sobre os riscos associados ao uso de tóxicos, como cocaína, por meio de cartazes publicitários, com o fito de haver uma aplicabilidade das ideias de Hobbes.