A eficiência da política antidrogas brasileira
Enviada em 24/08/2022
O jornalista Gilberto Dimenstein, ao produzir a obra “Cidadão de Papel”, afirmou que a consolidação de uma sociedade democrática exige a garantia dos direitos fundamentais de um povo. No entando, ao analisar a política antidrogas e como ela vem afetando diretamente milhares de pessoas no Estado brasileiro, constata-se que esse direito não tem sido pragmaticamente assegurado na prática. Com efeito, é imprescindível enunciar o aspecto sociocultural e a insuficiência legislativa como pilares fundamentais da chaga.
Em primeira análise, torna-se evidente a influência do fator sociocultural. Sob tal perspectiva, é oportuno assinalar que, conforme o pensador Émile Durkheim, a sociedade deve ser analisada de maneira crítica e distanciada do senso comum. Nesse sentido, a proposta do sociólogo pode ser aplicada quando se analisa as diversas vidas que são perdidas diariamente em prol do combate as drogas, que na maioria das vezes são vidas periféricas sem muito acesso a educação e com pouca estrutura. Destarte, discorrer criticamente essa problemática é o primeiro passo para a consolidação de um país equânime.
Ademais, é cabível pontuar que a ineficácia das leis corrobora com a persistência da vicissitude. A esse respeito, o filósofo grego Aristóteles afirmou que o objetivo da política é promover a vida digna aos cidadãos. Nessa lógica, a conjuntura vigente constrasta o ideal aristotélico, posto que cada pessoa presa no país representa um custo médio de R$ 1,8 mil e grande parcela dos presos estão em carcere por conta das leis antidrogas, essa verba seria muito melhor aproveitada se o Estado aplicasse na educação, afastando mais pessoas do crime e melhorando a qualidade de vida da população.
Infere-se, portanto que o imbróglio abordado necessita ser solucionado. Logo, a mídia, por intermédio de programas televisivos de grande audiência, deve discutir o assunto com profissionais especialistas nesse área, com o objetivo de mostrar as reais consequências do problema que é não reformular a política antidrogas brasileira e apresentar uma visão crítica a respeito do impasse. Feitos esses pontos com a visão crítica de Durkheim e a justiça de Aristóteles, a sociedade brasileira deixará de ser uma comunidade de papel, como enfatizou Dimenstein.