A eficiência da política antidrogas brasileira
Enviada em 05/08/2022
O quadro expressionista ‘‘O grito’’, do pintor norueguês Edvard Munch, retrata a inquietude, o medo e a desesperança refletidos no semblante de um personagem envolto por uma atmosfera de profunda desolação. Para além da obra, observa-se que, na conjuntura brasileira contemporânea, o sentimento de milhares de indivíduos assolados pela ineficiência da política antidrogas brasileira é, amiudadamente, semelhante ao ilustrado pelo artista. Nesse viés, torna-se crucial analisar as causas desse revés, dentre as quais se destacam a negligência governamental.
Em primeiro lugar, é imperioso notar que a indiligência do Estado potencializa a ineficiência da política antidrogas brasileira. Esse contexto de inoperância das esferas de poder exemplifica a teoria das Instituições Zumbis, do sociólogo Zygmunt Bauman, que as descreve como presente na sociedade, porém sem cumprirem sua função social com eficácia. Sob essa ótica, devido à baixa atuação das autoridades, o aumento da ineficiência da política antidrogas só tem a perdurar. Nessa perspectiva, para a completa refutação da teoria do estudioso polonês e mudança dessa realidade, faz-se imprescindível uma intervenção estatal.
Além disso, é notório citar que, de acordo com os dados da Polícia Federal aproximadamente o dobro da quantidade de maconha e derivados foi aprendida durante a pandemia do covid-19, em comparação ao período anterior de doze meses, em um aumento de 112%. Posto isso, de acordo com a filósofa francesa Simone de Beauvoir, ‘‘O mais escandaloso dos escândolos é que nos habituamos a eles’’. A afirmação atribuída pode facilmente ser aplicada ao problema, já que mais escandalosa do que essa problemática é o fato da população se habituar a essa realidade. Logo é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.
Depreende-se, portanto, a adoção de medidas que venham amenizar a ineficiência da política antidrogas brasileira. Dessa maneira, cabe ao governo e á sociedade, por meio de palestras, notícias, campanhas. Adote essas e diversas outras no cotidiano, assim tendo uma sociedade igualitária. Espera-se, assim, que os sofrimentos emocionais retratados por Munch delimitem-se apenas ao plano artístico.