A eficiência da política antidrogas brasileira

Enviada em 08/08/2022

A pintura “O Grito”, de Edvard Munch, representa, por meio de uma figura andrógena, as angústias sociais. Hodiernamente, tais angústias estão refletidas na falta de eficiência da política antidrogas brasileira, vista nas operações políciais que rareiam em exterminar esquemas do tráfico. Tal realidade se deve à inoperância governamental, em conjunto com a falta de debate acerca do tema.

Primeiramente, destaca-se a indiligência do governo no que tange a preparação dos policiais na área. Conforme a “Teoria da Percepção Coletiva”, de Émile Durkheim, o fato social se divide em normal e patológico. Nesse sentido, o Estado está em âmbito patológico, em crise, uma vez que não destina verbas aos departamentos de polícia, impedindo a distribuição de preparo aos agentes que lidam com essa problemática. Consequentemente, sem especialização, a eficiência das apreensões ficam impedidas, como mostram pesquisas divulgadas pelo site G1, que nos últimos 15 anos apenas 1,5% delas foram bem executadas.

Ademais, o pouco debate sobre a ineficiência da política antidrogas do Brasil representa outro desafio. Conforme Habermas, sociólogo da Escola de Frankfurt, a palavra é uma verdadeira forma de ação. Contudo, segundo o relatório divulgado pelo Consórcio Internacional de Políticas Antidrogas, para o governo brasileiro não é vantajosa a divulgação de dados do tópico à sociedade, já que são altos os números de violência e mortes causadas nas operações. Logo, sem o acesso às informações, a população continuará sem poder reinvidicar seus direitos.

Portanto, é imprescindível que o poder público invista em programas que, por meio de cursos integrados à formação dos policiais, especialize-os na atuação em operações de apreensão de drogas, a fim de que mostrem maior eficiência nelas e diminuindo riscos aos civis. Além disso, a mídia deve buscar e divulgar dados sobre a má efetuação dos procedimentos antidrogas, informando aos cidadãos a ineficiência do Estado nesse quesito. Só assim as angústias representadas pela pintura serão desvínculadas da realidade.