A eficiência da política antidrogas brasileira
Enviada em 24/08/2022
O quadro expressionista “O grito”, do pintor norueguês Edvard Munch, retrata a inquietude, o medo e a desesperança refletidos no semblante de um personagem envolto por uma atmosfera de profunda desolação. Para além da obra, observa-se que, na conjuntura brasileira contemporânea, o sentimento de milhares de indivíduos assolados pela ineficiência da política antidrogas é, amiudamente, semelhante ao ilustrado pelo artista. Nesse viés, torna-se crucial analisar as causas desse revés, dentre as quais se destacam a negligência governamental e o preconceito com dependentes químicos.
A princípio, é imperioso notar que a indiligência do Estado potencializa o preconceito com usuários de drogas. Esse contexto de inoperância das esferas de poder exemplifica a teoria das Instituições Zumbis, do sociólogo Zygmunt Bauman, que as descreve como presentes na sociedade, todavia, sem cumprirem sua função social com eficácia. Sob essa ótica, devido à baixa atuação das autoridades, os índices de prisões de usuários equivocadas aumentarão. Nessa perspectiva, para a completa refutação da teoria do estudioso polonês e mudança dessa realidade, faz-se imprescindível uma intervenção estatal.
Outrossim, é igualmente preciso apontar o preconceito com dependentes químicos, como outro fator que contribui para a manutenção do aumento de prisões de usuários como traficantes. Posto isso, de acordo com Voltaire, “preconceito é opinião sem conhecimento” . Diante de tal exposto, uma população sem o devido conhecimento é preconceituosa e ignorante. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.
Portanto, são necessárias medidas capazes de mitigarem o o aumento nos índices de usuários presos injustamente. Dessarte, a fim de garantir os direitos de liberdade e respeito para esses cidadãos e bom funcionamento dessa política antidrogas, é preciso que o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e o Ministério da Educação e Cultura (MEC) - por intermédio das mídias - realize campanhas de conscientização para a população e informe sobre as medidas tomadas na política antidrogas para combater o tráfico. Espera-se, assim, que os sofrimentos retratados por Munch delimitem-se apenas ao plano artístico.