A eficiência da política antidrogas brasileira

Enviada em 27/08/2022

‘‘A primeira condição para alterar a realidade é reconhecê-la’’, a frase dita pelo escritor uruguaio Eduardo Galeano entra em acordo com a contemporaneidade, havendo necessidade de reconhecer que as políticas antidrogas falham no Brasil. Nesse prisma, destacam-se dois aspectos importantes no motivo da falha: negligência governamental e influência midiática.

Cabe mencionar, em primeiro plano, a negligência governamental como agravante no revés. Sob essa lógica, o filósofo inglês Thomas Hobbes defendia a ideia de que o Estado tem obrigação de promover meios que auxiliem o progresso comum. No entanto, essa tese não se aplica à conjuntura hodierna, uma vez que as autoridades governamentais não agem para criar ações que resolveriam a eficácia da política antidrogas, como a busca pelos mandantes do tráfico fora das comunidades ao invés de prenderem microtraficantes que são logo repostos e educar melhor a nação sobre a questão dos entorpecentes. Logo, não é justo que a máquina pública protagonize - com sua omissão de dever - a manifestação desse problema social no Brasil.

Ademais, cabe salientar a influência midiática sob a perspectiva de Pierre Bordieu, para o sociólogo francês os mecanismos democráticos não devem ser convertidos em ferramentas opressoras. Observa-se, no entanto, que meios de comunicação, a exemplo dos canais televisivos, revelam uma face opressora ao privilegiar reportagens sobre invasões nas periferias em detrimento de investigações a respeito do envolvimento das milícias e dos políticos nas drogas, a exemplo da aeronave que foi abastecida com 500kg de cocaína na fazenda do políticos Aécio Neves. Por conseguinte, os usuários destas redes acabam por achar que o problema está somente nas áreas pobres, deixando os mandantes fora da lente.

Portanto, é evidente a necessidade da adoção de medidas que aumente a eficiência das políticas antidrogas. Por consequência, cabe ao governo federal - incumbido de todas demandas sociais da nação -, por meio dos cofres públicos, a criação de agências especializadas na apreensão e efetivas prisões dos mandantes de alto escalão do tráfico organizado, a fim de pegar o problema na raiz e posteriormente resolvendo em outras camadas. Somente assim, mudará a nação.