A eficiência da política antidrogas brasileira

Enviada em 24/10/2022

O combate as drogas no Brasil tem se mostrado ser uma luta com alto caráter discriminatório. A própria postura dos “combatentes”, os policiais, é diferente, de acordo com o CEP em que estão atuando. Um homem negro preso com 10g de cocaína em uma comunidade é traficante, enquanto um jovem branco com 30g de cocaína em um bairro nobre nem é revistado. Sob essa perspectiva é importante analisar, como deve ser a atuação das forças armadas no combate as drogas e destacar como a normalização dessa questão, reforçou a postura dos militares.

A princípio, é importante destacar que somente proibir e reprimir ao máximo, não é a forma mais eficiente de inibir um mal comportamento. Em Euphoria, uma série da HBO, a protagonista luta contra um vício em drogas e sofre grande repressão do uso pela mãe. Ela só consegue lidar com a dependência após ingressar em um relacionamento e estabelecer uma perspectiva de futuro. Além disso, os usuários de drogas irão portar pequenas porções de entorpecentes, a sua apreensão é desprezível na luta contra os narcóticos e nada justifica a repressão policial agressiva aplicada aos portadores.

Tendo isso em vista, a sociedade, em especial os que pertencem a classe alta, escolheram fechar os olhos, perante esse comportamento violento por parte do governo, por não sofrerem de tal violência. Além de ser de conhecimento público a diferença de tratamento entre um homem preto pobre e um homem branco e rico, tanto pela polícia quanto pela mídia, que é resultado de séculos de escravidão e opressão a população negra, que se institui atualmente de forma velada, mas que se torna clara ao analisar fatos e dados. Reforçando a má postura das forças armadas e consequentemente seu comportamento pouco efetivo e violento.

Portanto, considerando a forma de tratamento errônea da polícia, a postura da sociedade em relação a ela e visando sua completa erradicação, é papel do governo reformular completamente os manuais de conduta das forças armadas e as leis que regulam o tráfico de drogas. Por meio de projetos de lei e plebiscitos, para incluir a população no processo, com o intuito que as mudanças sejam feitas da forma mais democrática possível e que a eficiência da política antidrogas seja mais efetiva e justa para todos.