A exploração trabalhista na sociedade moderna

Enviada em 05/06/2026

A canção “Workin Day and Night”, do cantor Michael Jackson, retrata a jornada exaustiva de um indivíduo que trabalha incansavelmente para sobreviver. De maneira análoga, essa exaustão é a realidade de inúmeros trabalhadores no contexto da sociedade moderna, cuja força de trabalho é subjugada pela lógica da maximização de lucros e pelo egoísmo humano. Como consequência, a dignidade trabalhista torna-se uma utopia distante da vivência prática.

Em primeira análise, a maximização dos lucros na sociedade moderna faz com que os trabalhadores sejam vistos como máquinas de lucro e não como humanos. Sob essa ótica, o conceito de mais-valia, de Karl Marx, define que o trabalhador vende sua força de trabalho em troca do salário, mas não recebe o valor real do que produz. Nesse sentido, essa lógica da exploração se materializa na manutenção de jornadas exaustivas, como a escala 6x1, que priva o indivíduo do descanso adequado e do convívio social em prol do rendimento empresarial. Como consequência dessa engrenagem opressora, o limite físico e mental do trabalhador é severamente ultrapassada, culminando no aumento alarmante de patologias psicológicas crônicas, a exemplo da Síndrome de Burnout.

Outrossim, o egoismo humano é outro fator que mantém o ciclo explorador de trabalho exaustivo de tantos cidadãos. A obra cinematográfica da diretora Anna Muylaert, “Que horas Ela volta?”, aborda a vivência da empregada doméstica Val com patrões abusivos, que não a veem como igual. Fora das telas, essa ficção reflete a mentalidade da parcela da sociedade moderna que, movida pelo individualismo e pela herança colonial, normaliza a precarização do trabalho em benefício do próprio conforto. Desse modo, a falta de empatia e a busca por privilégios individuais perpetuam relações laborais análogas à escravidão. Assim, torna-se evidente que a indiferença humana impede a garantia de dignidade e de direitos básicos à classe trabalhadora.

Portanto, o Ministério do Trabalho deve intervir nessa problemática. Cabe a esse orgão fiscalizar rigidamente as empresas, mediante auditorias e punições financeiras, com o intuito de coibir jornadas exaustivas. Assim, a rotina laboral não será exploratória, superando o cenário retratado na canção inicial.