A exploração trabalhista na sociedade moderna

Enviada em 07/04/2020

No documentário “Encontro com Milton Santos”, o sociólogo relaciona a globalização e as mudanças trazidas com este processo, principalmente o que diz respeito à dependência e à exploração dos países subdesenvolvidos. Assim, é evidente a mudança nas condições de trabalho a partir da globalização, o que promoveu e acentuou a exploração trabalhista na atualidade, em especial em áreas com baixa fiscalização e informação. Nesse sentido, é necessário compreender tanto as condições de trabalho a partir da globalização, quanto a dependência dos países subdesenvolvidos evidenciada no documentário.

Em primeiro lugar, é importante ressaltar as alterações no modo de trabalho na modernidade. Com o avanço tecnológico proporcionado pelas Revoluções Industriais, o mundo do trabalho sofreu uma grande transformação, uma vez que a manufatura foi substituída pela maquinofatura. Tal substituição desencadeou o desemprego estrutural, que consiste na substituição da mão-de-obra braçal pela máquina, evidenciando o que Karl Marx denominou de mais-valia absoluta. Este fenômeno também foi responsável pelo surgimento dos subempregos, caracterizado pelo trabalho irregular e pela exploração do trabalhador, principalmente em áreas com baixa fiscalização estatal.

Além do mais, também é necessário analisar a relação de dependência existente entre os países subdesenvolvidos e desenvolvidos. A partir da consolidação do capitalismo e o Imperialismo ocorrido no final do século 19, os países subdesenvolvidos foram bastante explorados pelos desenvolvidos, em especial pelo fato daqueles apresentarem uma mão de obra barata e abundante. Essa condição permitiu que as empresas multinacionais e transacionais consolidassem sua sede nos países do primeiro mundo, enquanto suas fábricas se sustentassem nos países subdesenvolvidos. No documentário “The true cost” (A verdadeira costura), essa relação de dependência é mostrada de forma clara, uma vez que evidencia como as grandes empresas exploram a mão de obra nos países subdesenvolvidos, submetendo os trabalhadores à condições análogas à escravidão.

Portanto, torna-se clara a exploração trabalhista vigente na globalização. Dessa forma, é necessário que o Ministério do Trabalho, em conjunto com os agentes de segurança pública, aumente a fiscalização em áreas suspeitas de exploração, uma vez que é função do Estado garantir o bem-estar social. Tal medida pode ser feita por meio do melhor preparo dos fiscais e pela aplicação de multa às grandes empresas a fim de acabar com a impunidade destas e, assim, reduzir a exploração do trabalhador. Ademais, também é necessário que os jornais e a mídia informem à população acerca das práticas de exploração ainda vigentes na atualidade a fim de que seja possível combatê-las.