A exploração trabalhista na sociedade moderna
Enviada em 31/03/2020
A Revolução Industrial britânica trouxe diversas inovações para o mundo moderno, desde máquinas de tear até as movidas a vapor, tornando-se um grande atrativo para desempregados. Assim, ao contrário da visão gloriosa que esse período tinha para o empregador, o amplo êxodo rural teve como produto a exploração sem precedentes dos trabalhadores, independentemente da idade ou sexo, famílias passaram a viver uma situação até mesmo pior do que a do campo. Por analogia, a sociedade hodierna não está livre do abuso em razão ao lucro e de novos padrões no mercado de trabalho.
De acordo com Karl Marx, o nascer da indústria significou a desumanização do proletariado, em que a máquina é mais relevante do que quem a utiliza. Em tal ótica, o crescimento da informalidade atual ampliou em alta escala o terceiro setor da economia, o que gerou um afrouxamento ao seguir leis trabalhistas, criando um novo quadro de serviços que dominam atualmente o mercado online, a exemplo do Ifood, que possui um amplo histórico de exploração com “motoboys”, no qual a carga horária de 14 horas por dia é análoga ao século XVII. Assim, os entregadores são vistos apenas como motocicletas ambulantes que trazem o lucro para os restaurantes.
Outrossim, após a Divisão Internacional do Trabalho do século XIX, a mão de obra especializada definiu novos padrões ao mercado e fez-se uma opção para a ascensão da classe social, à medida que o ensino superior possibilita o indivíduo a ter diversos tipos de profissões. No entanto, as exigências da educação formalizante não são compatíveis com a realidade de quem precisa trabalhar para garantir a própria subsistência. Destarte, diversos jovens não têm oportunidades, dinheiro ou tempo para se dedicar ao estudo, sendo obrigados a procurar empregos que, devido à baixa exigência de escolaridade, por muitas vezes, se aproveitam desse cenário.
Portanto, é evidente a necessidade do Ministério da Educação, em parceira com cursos pré-vestibulares via online, oferecer gratuitamente bolsas para jovens trabalhadores, concebendo oportunidades para que mais pessoas se especializem, diminuindo a estratificação social. Além disso, o Ministério do Trabalho deve ampliar a fiscalização no que se diz respeito do cumprimento das leis trabalhistas no setor de serviços, para que não ocorra exploração e negligenciamento das empresas envolvidas, sendo sujeitas a uma multa maior do que a já consta na constituição. Desse modo, a relação empregador e empregado na sociedade contemporânea não se equipará à Revolução Industrial.