A exploração trabalhista na sociedade moderna

Enviada em 06/05/2020

No livro Sobre jasmins, bombas e faraós, a jornalista, Carolina Montenegro, durante sua viagem ao Oriente Médio retrata sua percepção do modo de vida no local. Através de um ponto de vista, sobretudo, trabalhista, os refugiados que vivem em centros como o Líbano submetem-se a subempregos que oferecem risco a sua integridade e não fornecem a devida remuneração, assolados pela necessidade de proporcionar, no mínimo, alimento para sua família naquele dia. Lamentavelmente, essa situação não se restringe a regiões de conflitos, mas se estende a países como o Brasil, que gozam de relativa paz. A crescente piora na situação do empregado e a hipervalorização do lucro  monetário é uma mazela que urge por uma solução.

Na década de 1940, Vargas criou o Sindicato dos Trabalhadores e as Leis trabalhistas. Assim, melhorou as condições de vida dos trabalhadores e possibilitou a ascensão social dos mesmos, através da implementação do salário mínimo: valor o qual era o suficiente para sustentar uma família com filhos, pagar o aluguel, comprar comida e para o lazer. Porém, desde então, não houve reajuste do salário correspondente à inflação, ou seja: o valor da vida aumentou, mas o salário não. Isso revela a mais perversa face do Capitalismo – a priorização do lucro monetário – em detrimento à situação do empregado. Leis trabalhistas são vistas como empecilhos e gastos pelos empresários. A exemplo, os entregadores de aplicativos, que não tem direito a insalubridade, mesmo se submetendo à riscos para trabalhar; nem a planos de saúde ou férias. Tudo isso, em troca de um salário que tampouco será o suficiente para viver com comodidade.

O Liberalismo Moderno gera um comodismo na elite econômica, que por sua vez, consequentemente, impede a acensão social de empregados e os priva de seus direitos. O Indice de Gini – ferramenta da geografia responsável por medir a desigualdade de um país – evidencia essa desumanização do empregador, visto que o coeficiente se aproxima de 1, representando maior desigualdade. Percebe-se, portanto, que pouco se alterou na sociedade brasileira desde o século passado, aliás, houve um breve avanço seguido de um retrocesso na luta pelos direitos da classe operária.

Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse. O Ministério da Economia, em conjunto com o Ministério do Trabalho deve propor a fiscalização das Leis trabalhistas já existentes, por meio da criação de uma Associação, composta por trabalhadores que dependem unicamente do salário para sustentar suas famílias, visando melhorar as condições de trabalho deles mesmos e de quem vive uma realidade semelhante.