A exploração trabalhista na sociedade moderna

Enviada em 05/04/2020

Em meados do século XVIII, na Inglaterra, a primeira Revolução Industrial começou a mudar drasticamente as relações de trabalho. Com o aumento da produtividade das fábricas, os trabalhadores tinham muito pouco poder de barganha com seus patrões e se submetiam a condições precárias de serviço como alternativa ao desemprego. Hoje, apesar de muitas lutas e conquistas trabalhistas, as políticas públicas cada vez menos eficazes na redução da desigualdade e a ameaça da automação nos levam a um familiar, porém novo, cenário de exploração trabalhista.

Segundo o IBGE, o Brasil possui cerca de 12 milhões de desempregados e 38 milhões de trabalhadores informais. Muitos desses últimos têm jornada de trabalho superiores ao máximo permitido por lei, com salários inferiores ao mínimo. Mesmo nessa conjuntura, o Governo Federal tem sido ineficiente no combate a precarização do trabalho. Ações afirmativas, como o Bolsa Família, por exemplo, têm sido alvo de cortes fazendo com que empregados que já não recebem mais o benefício sejam forçados a se submeter a relações de trabalho abusivas, que não o garantem tempo ou renda para se qualificar e tentar encontrar um cargo melhor.

Além disso, o avanço da automação na indústria tem diminuído cada vez mais a presença de trabalhadores pouco qualificados no mercado. Segundo reportagem da revista Época, o serviço de caronas Uber, por exemplo, que já é alvo de diversas polêmicas no tocante a sua relação com os motoristas, pretende contar com carros autônomos no futuro em busca de um modelo de negócios lucrativo. A substituição de trabalhadores por máquinas e inteligência artificial representa uma vulnerabilidade para os mesmos, e é preciso criar um sistema de segurança social que permita a essas pessoas reagir e se adaptar às novas realidades do mercado de maneira eficaz.

Nota-se, portanto, que é preciso gerar um ambiente de mais segurança para o trabalhador, especialmente o menos qualificado e de baixa renda, para combater as desigualdades e a exploração do mesmo. Para tal, o Governo Federal precisa expandir as ações afirmativas que garantem uma renda mínima universal para os cidadãos, permitindo que estes se qualifiquem e não tenha que se submeter a condições de trabalho precárias. Isso pode ser feito através da taxação de grandes fortunas e reformas no imposto de renda. Assim será possível dar um grande passo para evitar a recriação de um cenário de exploração do trabalhador que já deveria pertencer ao passado.