A exploração trabalhista na sociedade moderna

Enviada em 07/04/2020

Em meados do século XIX, a escravidão humana foi proibida em boa parte do mundo. Entretanto, no mundo capitalista contemporâneo, uma exploração do trabalho humano ainda ocorre, graças ao moldes e artimanhas do sistema capitalista vigente, de uma forma mais sutil e naturalizada, o que beneficia a burguesia em detrimento do proletariado. Diante disso, a discussão de mecanismos que busquem uma jornada digna de trabalho são necessárias.

Primeiramente, vale destacar que o sistema de produção vigente favorece o abuso laboral. Para endorsar isso, o sociólogo alemão Karl Marx propõe o conceito de Mais Valia, no qual o empregador paga ao trabalhador um valor inferior ao justo e, portanto, lucra a partir da exploração dos empregados. Nesse sentido, em um sistema que se baseia no logro e na propriedade privada como o capitalista, esse aproveitamento por parte do patrão é institucionalizado e, dessa maneira, naturalizado, até pelo próprio salariado, alienado pelas manobras do modo de produção ou pela desinformação.

Igualmente, é notório destacar que a exploração trabalhista na sociedade moderna se dá de maneira sutil e quase imperceptível. Nessa conjuntura, esse aproveitamento injusto da labuta não é uma característica recente, ela pode ser observada desde o período da Revolução Industrial, em que crianças e adultos eram submetidos a jornadas exaustivas e a condições insalubres em troca de salários irrisórios. Ademais, apesar dos avanço nas legislações trabalhistas presentes na contemporaneidade - férias, jornada de até 8 horas diárias, entre outros, as práticas exploratórias se dão de maneira mais capciosa. Esses abusos se dão, por exemplo, por meio da cobrança exacerbada do funcionário para atingir metas, que o obrigam a trabalhar até na hora de lazer, ou a exigência cada vez maior pela capacitação, o que faz com que o indivíduo viva para se preparar. Diante disso, medidas que garantam um expediente honestos  e legais são necessárias.

Diante do exposto, torna - se evidente o papel do sistema de produção atual e suas práticas veladas de aproveitamento laboral injusto para a exploração da classe trabalhadora. Logo, é mister que o Ministério do Trabalho em parceria com os sindicatos trabalhistas promovam campanhas publicitárias, destinadas aos empregadores e empregados, que informem os direitos trabalhistas, com ênfase no respeito aos limites da jornada de trabalho, às condições ambientais, pagamento digno, a fim de tornar o funcionário ciente de suas garantias legais e seus deveres. Destarte, é imprescindível também que o mesmo Ministério reforce a fiscalização e apuração de denúncias de crimes em relação a abusos nas atividades laborais, além de punir de acordo com a legislação os responsáveis. Dessa maneira, poderá ser garantido uma jornada trabalhista justa e digna para a classe trabalhadora.