A exploração trabalhista na sociedade moderna

Enviada em 09/04/2020

As revoluções industriais, juntamente com a globalização, trouxeram uma série de benefícios às sociedades modernas, principalmente no campo técnico-informacional. Entretanto, mesmo com significativos avanços, algumas relações desproporcionais foram mantidas, como é o caso da exploração do trabalho.

Em seu mais famoso filme, “Tempos Modernos”, Charlie Chaplin retrata a extenuante jornada de trabalho dos americanos no período posterior às revoluções industriais, onde as cargas horárias chegavam à doze horas diárias; o Brasil contemporâneo apresenta um quadro não muito diferente do mostrado na trama, principalmente no setor de serviços informais de entrega, uma vez que os empregados, por não terem um aparato jurídico e por saberem que a quantidade de horas trabalhadas são diretamente proporcionais aos lucros, se submetem à prolongadas rotinas de trabalho, colocando em risco suas saúdes físicas e mentais.

Outro ponto importante para a manutenção das relações sistêmicas é a lucratividade dos aplicativos de entrega. Em seu mais famoso livro, “O Príncipe”, Maquiavel desenvolve a ideia de que “os fins justificam os meios”, evidenciando que o objetivo final e as formas de obtê-lo estão acima de tudo e todos; logo, transferindo esse pensamento para o contexto da rentabilidade, percebe-se que as empresas se utilizam dessa estratégia ao pagarem baixos valores de frete e deixarem os trabalhadores sem assistência.

A exploração do trabalho exerce uma relação mutualista com o capitalismo e por isso, dificilmente será suplantada. Porém, há formas de atenua-lá e tornar a vida dos trabalhadores informais um pouco mais digna e humana. Uma possível saída para essa situação é a criação, por parte do ministério do trabalho, de uma legislação trabalhista especial para os trabalhadores informais, os assegurando alguns direitos básicos, como: descanso semanal, taxação de frete, horas mínimas de trabalho etc.