A exploração trabalhista na sociedade moderna

Enviada em 10/04/2020

Durante a Era Vitoriana, por volta do século XVIII, início da conhecida Revolução Industrial, período em que o trabalho foi responsável pela exploração de crianças e gestantes na Inglaterra, era veemente o desamparo inerente a relação trabalho-trabalhador, fator que incentivou os posteriores movimentos Luddista e Cartista e, ainda,  inspirou a produção de sociólogos como Marx e Weber. No espectro contemporâneo, apesar da regulamentação estatal pós influências como a Carta del Lavoro italiana, a Consolidação dos Direitos Trabalhistas de Vargas e a criação dos direitos humanos pós Iluminismo, o trabalho ainda é usado como instrumento de exploração, tanto em aspectos alienatórios como práticos.

Em primeira análise, o trabalho tem, de fato, uma importância social, moral e econômica indiscutível, em consonância com o pensamento  do filósofo oriental Séneca: ‘‘O trabalho dignifica o homem’’. Contudo, a idealização de seus aspectos construtivos pode encobrir as realidades derivadas do lado não tão glamouroso do trabalho: alienação . No filme ‘‘As viagens de Chihiro’’, o personagem Haku pode ser tido como uma metáfora para esse fator em especial, uma vez que o garoto revela não se lembrar quem era antes de assinar o contrato na ‘‘casa de banho’’, instituição controlada por uma bruxa que toma posse dos nomes e identidade dos personagens que lá trabalham, uma analogia direta à vertente explorativa do trabalho para com o estado mental do indivíduo.

Outrossim, a suscetibilidade do trabalhador também é outro aspecto que contribui na perpetuação da exploração trabalhista. Em termos práticos e com referência à obra do ilustre escritor alagoano Graciliano Ramos, Vidas Secas, onde o personagem Fabiano se vê obrigado a aceitar as determinações e exageros veementemente injustos do patrão para sobreviver, a fiscalização do trabalho se torna essencial em defesa daqueles que, como Fabiano, não vêem a quem recorrer e se apegam a qualquer fonte que lhes forneça amparo, por mais cruel que venha a se tornar.

Dessa maneira, com a intenção de eliminar ambas a suscetibilidade mental quanto social, inerentes à exploração trabalhista, medidas governamentais precisam ser postas em prática. Portanto, é de responsabilidade do MPT (Ministério Público do Trabalho) atuar em conjunto com as Secretarias Municipais para realizar a fiscalização programada de regiões consideradas mais vulneráveis. Além disso, com ajuda  da Secom (Secretaria Especial de Comunicação Social) deverá providenciar a divulgação de propagandas informativas de direitos trabalhistas em horário nobre e a criação de uma plataforma digital que tenha o objetivo de esclarecer dúvidas de trabalhadores acerca do assunto de modo que o indivíduo tenha o Poder Público como principal aliado na proteção e ampliação dos direitos já previstos em constituição.