A exploração trabalhista na sociedade moderna
Enviada em 13/04/2020
De acordo com o filósofo polonês, Zygmunt Bauman, a relação do homem moderno com o trabalho assume uma nova postura frente ao processo de globalização, deixando de ter um alicerce perene, para um laço efêmero e vinculado ao alcance das necessidades corporativas. Nessa perspectiva, a exploração trabalhista no Brasil hodierno, transpassou do ambiente corporativo para os lares dos trabalhadores, fator que tem aumentando as horas de atividades e contribuindo para a perpetuação desse quadro deletério. Isso ocorre ora em função das exigências das empresas, ora em função da falta de politicas públicas para amparar os diretos dessa classe. Logo, é substancial minimizar os efeitos dessa problemática.
Convém ressaltar, em primeiro plano, que o problema advém, em muito, da inação governamental para amparar a classe trabalhadora. Segundo a Constituição Federal de 1988, o trabalho é um princípio, fundamento, valor e direito social, base esta que precisa está intrinsecamente fundamentada em ações que viabilizem um trabalho digno e contínuo. Entretanto, é visível nos noticiários matérias que abordam trabalhadores com rotinas de 24 horas diárias, salários inferiores, panorama oposto ao que estabelece a Carta Magna e a Consolidação das Leis Trabalhistas. Dessa forma, esse quadro destaca que ações do Poder Público não atendem os direitos básicos da classe laboral.
Outrossim, é oportuno destacar que as exigências do contexto empresarial corrobora para a perpetuação desse cenário . Conforme o sociólogo Karl Marx, “a desvalorização do mundo humano aumenta em proporção direta com a valorização do mundo das coisas”. Sob essa óptica, o principio capitalista ao enaltecer a busca por lucratividade, desprivilegia os direitos do trabalhador, que ao buscar uma maior produtividade, é direcionado a um regime de exploração. Portanto, é imperativo reverter esse quadro para assegurar o que estabelece a Constituição Federal sobre as regalias do trabalhador brasileiro.
Desse modo, é imprescindível minimizar os efeitos desse quadro periclitante. Para isso, cabe ao Governo Federal disponibilizar verbas para a criação de um Órgão Federal de Amparo ao Trabalhador – tal entidade seria formada por profissionais das áreas de Economia, Direito e Saúde. Essa junta seria responsável por verificar se empresas estão cumprindo o que estabelece a Constituição Federal e as Leis Trabalhistas, assim como multar as organizações que desrespeitem a classe trabalhadora. Ademais, cabe também ao Estado criar canais de denúncias através das redes sociais e televisão aberta para inibir a ação de empresas exploratórias. Feito isso, as novas relações de trabalho alarmadas por Bauman, não terão caráter de exploração no Brasil hodierno.