A exploração trabalhista na sociedade moderna

Enviada em 16/04/2020

Quando nos deparamos com um desses trabalhadores, que por meio de aplicativos, fazem entrega à domicílio pedalando uma bicicleta com uma caixa térmica nas costas, poderíamos até achar “descolado”, sustentável, ou até mesmo acreditar que se trata de uma forma de democratização do trabalho. Poderia até ser, se não prestássemos atenção em uma obscura frase contida no documentário “Da Servidão Moderna”, onde há um fragmento que diz: “A opressão se moderniza estendendo por todas as partes as formas de mistificação que permitem ocultar a nossa condição de escravos.”            Destarte, acabamos imergindo sem perceber em uma das maiores armadilhas do Século XXI: a capitulação à mão invisível do Capital. Nesse contexto, estudos feitos em São Paulo mostram que 50% desses trabalhadores são jovens entre 18 e 22 anos que, no lugar de estarem em um ambiente de estudos primando pelo diploma de ensino superior, isto é, considerando concluídos o ensino médio; se arriscam nas movimentadas ruas da Capital a troco de um ganho médio mensal de R$ 992,00, ou seja, menor que um salário mínimo. Sem contar que a grande maioria desses trabalhadores são da região Metropolitana que, para economizar ou dar conta da grande quantidade de horas trabalhadas, pois 30% do total admitem fazer mais que 12 horas diária, acabam dormindo em praça pública.

Ademais, essas sutis formas de relacionar tecnologia com mercado de trabalho, também conhecida como a quarta revolução industrial, ou Indústria 4.0, segundo a qual haverá, e já é notório nos dias de hoje, uma profunda transformação na forma como vivemos, trabalhamos e nos relacionamos. Pois os chamados smathphones, cujo inúmeros aplicativos instalados e inerentes ao ser humano, faz com que o colaborador, tanto de pequenas, médias ou grandes corporações, permaneça interconectado expandindo assim o ambiente de trabalho que não se limita mais às paredes das fábricas e escritórios. Posto isso, as relações de trabalho estende-se até os ambientes familiares, chegando a afetar as intimidades da vida cotidiana. Pois, acaba exigindo cada vez mais de seus colaboradores e assim criando conflitos internos, externos e restringindo o direito ao descanso e ao lazer.

Dessa forma, cabe ao Poder Legislativo, com uma visão panorâmica diante do cenário que se apresenta, atualizar e criar leis que se enquadrem nos novos modelos de trabalho. Leis que incluam o servidor desses aplicativos as garantias mínimas como proteção do I.N.S.S., direito à aposentadoria, salários fixos igual ou superior ao mínimo, entre outras; e ao Ministério do Trabalho compete fiscalizar e rastrear esses aplicativos que mantenham um relacionamento abusivo com seus empregados. Investigando denúncias e tomando as medidas cabíveis. Só assim manteremos a esperança de que o infortúnio da servidão moderna não venha nos arrebatar.