A exploração trabalhista na sociedade moderna

Enviada em 16/04/2020

Na obra “Utopia”, do escritor Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social é padronizado pela ausência de problemas e conflitos. Entretanto, na realidade atual, o que ocorre é o oposto do que é retratado na produção de More, uma vez que a exploração trabalhista na sociedade moderna é fruto da desigualdade econômica e da priorização do lucro monetário por parte das empresas. Diante disso, é essencial a discussão desses fatores, para que haja o devido funcionamento da sociedade.

Em primeira análise, é importante ressaltar como a desigualdade econômica agrava o problema da exploração trabalhista. No mundo atual, a mão de obra está cada vez mais especializada, necessitando, então, cada vez mais do aperfeiçoamento profissional. Entretanto, essa dedicação demanda tempo e dinheiro. O Brasil, por exemplo, é marcado pela má distribuição de riquezas desde o Brasil colônia, período no qual houve a divisão de grandes territórios nas mãos de poucos. Todo esse legado e a precarização de políticas, na sociedade contemporânea, contribuem para o ciclo de má distribuição de renda. Por consequência, as pessoas que se encontram em condições bastante precárias procuram diversas formas para garantir o sustento, próprio ou familiar, mesmo que para isso precisem se submeter a jornadas extensas e baixa remuneração.

Ademais, é válido pontuar o lucro monetário priorizado pelas empresas como promotor do problema. Diante desse fato, muitos trabalhadores passam por jornadas de trabalho absurdas, que chegam a mais de doze horas por dia e que, por muitas vezes, não garantem o valor de um salário mínimo. De acordo com o filósofo Karl Marx, no conceito de “mais-valia”, o lucro do patrão é obtido através da exploração da mão de obra do trabalhador. A partir disso, a classe dominante não deseja que a situação mude, pois encontra-se numa posição confortável e privilegiada. Empresas, como as de entrega de comida, apesar de oferecerem horários flexíveis para trabalho, têm baixa remuneração. Como consequência, os empregados submetem-se a condições ruins e de pequeno a razoável retorno financeiro.

Portanto, é imprescindível que medidas sejam tomadas para o avanço da sociedade. Com o intuito de mitigar a desigualdade econômica, necessita-se que o Estado em conjunto com as escolas, capacite os indivíduos com educação e formação de qualidade, melhorando a educação pública através de um forte investimento, para que as pessoas em situação de vulnerabilidade tenham oportunidades. O governo também deve aprimorar as políticas de combate ao desemprego e à informalidade do setor, com a geração de empregos e garantia da fiscalização adequada para garantir o bem-estar dos cidadãos. Só assim o corpo social alcançará o que foi descrito na obra de Thomas More.