A exploração trabalhista na sociedade moderna

Enviada em 19/04/2020

O conceito geográfico de ‘’Aldeia Global’’, criado pelo baiano Milton Santos, constitui um fenômeno de ordem social que altera profundamente todas as dinâmicas de uma comunidade. Nesse sentido, a exploração trabalhista na sociedade moderna torna-se uma alteração negativa advinda de tal processo e é ocasionada pela insuficiência de postos formais de emprego e pela pouca especialização.

Dentro dessa perspectiva, a ausência de um número satisfatório de vagas de labor regulamentadas torna-se um fator notável para a problemática. É perceptível, assim, que muitas vezes indivíduos não conseguem disputar o concorrido mercado formal e acabam por ter que aceitar propostas fora da devida legislação, tornando-se vítimas de exploração. Esse cenário, contudo, se opõe ao proposto pelo pensador Georg Hegel, que afirma que é dever estatal zelar pelo desenvolvimento social de seu povo de modo interventivo.

Além disso, também deve-se considerar a pouca especialização como fator contribuinte. Isto pode ser materializado através do fato de que, de acordo com a Organização Internacional de Trabalho, mais de 60% dos empregados irregulares estudaram até no máximo a quarta série fundamental, o que permite constatar que a ausência de qualificação advinda da educação contribui para o panorama preocupante, em muitos casos, fruto de condições de marginalização.

Logo, medidas amplas devem ser tomadas visando a intervenção eficaz da questão no cenário brasileiro. Compete ao Ministério do Trabalho, órgão capaz de garantir direitos e mitigar a exploração, por meio de parcerias financeiras com empresas privadas, ampliar o número de ofertas trabalhistas regulamentadas, para que postos informais de exploração possam diminuir. Outrossim, é imperioso que o Ministério da Educação oferte cursos de especialização com bolsas para adultos e jovens com fito de garantir qualificação, a fazer, assim, com que as alterações negativas da ‘’Aldeia Global’’ se revertam.