A exploração trabalhista na sociedade moderna
Enviada em 20/04/2020
No livro “O Cortiço”, escrito por Aluísio Azevedo, um personagem chamado João Romão, é um patrão mesquinho que ama o dinheiro e explora seus funcionários para enriquecer ainda mais. Através desse personagem, Aluísio faz uma reflexão sobre as práticas desleais nas relações de trabalho entre patrão e funcionário e revela que elas são bem antigas. Fora da ficção, a exploração dos empregados se perpetua, acontecendo inclusive na modernidade. Sendo um problema que está diretamente relacionado à realidade do Brasil, seja pela negligência governamental, seja pela irresponsabilidade social.
A princípio, é incontestável que a inoperância governamental esteja entre as causas do problema. Insuficientes são as políticas públicas de repressão à desvalorização do trabalhador, principalmente nos ditos “trabalhos braçais”. Nesse prisma, de acordo com o filósofo John Locke, configura-se uma violação do “contrato social”, já que o Estado não cumpre sua função constitucional de proporcionar o direito ao labor digno e bem remunerado. De certo, isso se demonstra nos inúmeros casos noticiados de empregados que vivem em condições análogas à escravidão e estão longe de alcançar a dignidade garantida por lei.
Outrossim, destaca-se a cultura da permissividade de uma parte da sociedade, que muitas vezes, devido ao senso comum, não percebe o quão injusta é a relação trabalhista que está inserida. Isso é concordante com o pensamento de A. Schopenhauer de que os limites do campo da visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo que a cerca.Tal fato se reflete na tímida ação sindicalista nos últimos anos pois, segundo pesquisa publicada em dezembro de 2019 pela Central Única Dos Trabalhadores - CUT, ocorreu redução de 23% do número de greves em relação ao ano de 2018. Demonstrando que a classe proletária brasileira tem se inclinado à aceitação da exploração gerando um prejuízo social incalculável.
Diante desse cenário, é mister que o Estado, que tem a função social de organizar e zelar pela população, amplie as política públicas de incentivo à valorização do trabalhador, através de premiações em dinheiro para as empresas que comprovarem que respeitam seus empregados e possuem um plano de carreira justo, a fim de diminuir a desigualdade social brasileira. Além disso, as instituições educacionais devem orientar a população sobre seu papel protagonista na luta da causa operária, através de campanhas nos principais meios de comunicação, para que, gradativamente, patrões como o João Romão descrito por Aluízio, existam apenas na ficção.