A exploração trabalhista na sociedade moderna
Enviada em 21/04/2020
Em 1988, Ulisses Guimarães promulgou a Carta Magna e estabeleceu o trabalho como um direito social que deve - ou deveria ser - garantido a todos. Todavia, o ineficiente cumprimento das leis demonstra que a promessa de Guimarães está longe de ser alcançada. Pois, a moderna sociedade verde-amarela convive com um dos maiores problemas do capitalismo: a exploração trabalhista.
Em primeiro plano, na visão da filosofa Simone Beauvoir essa parcela da população sofre do fenômeno da invisibilidade, que diz respeito à indiferença com a qual as populações marginalizadas são tratadas. Ora, esse problema - histórico e cruel - relacionado com a exclusão e a invisibilidade social denunciada por Beauvoir atinge grande parte dos operários do país, quando se desrespeita as leis trabalhistas, ou mesmo quando não oferecem oportunidades de qualificação especializada. Assim, não é razoável, que em pleno século XXI, as pessoas recebam um tratamento isonômico.
Sob outra análise, Karl Marx defende como já sabemos - ou deveríamos saber - que as relações de exploração entre patrões e empregados são consequências do capitalismo, no qual patrões visando o lucro oprimem o proletariado. Nesse viés, na obra intitulada “Modernidade Líquida”, o sociólogo Zygmunt Bauman apresenta a tese de que na sociedade moderna o consumo e o desenvolvimento tecnológico, favorecem a cultura do enriquecimento e do individualismo. Desta forma, fica claro que enquanto não houver um real mecanismo de controle estatal sobre as relações do trabalho a premissa de Guimarães não será garantida no Brasil.
Para evitar, portanto, a exploração dos trabalhadores brasileiros, cabe ao Ministério da Economia garantir uma eficiente fiscalização sobre o cumprimento da legislação trabalhista vigente, e ao Ministério da Educação oferecer aos trabalhadores programas de qualificação e especialização, de modo que todos os cidadãos recebam tratamento digno e igualitário.