A exploração trabalhista na sociedade moderna
Enviada em 28/04/2020
O ludismo às avessas
O ludismo foi um movimento operário do século XIX em que os operários lutavam contra os avanços da revolução industrial. Nesse sentido, ao traçar um paralelo com os dias de hoje, haveria no Brasil a revolta dos desempregados dos aplicativos. Visto que, em que pese a pouca proteção social e a possibilidade de longas horas de trabalho, esse é o único emprego possível para milhões de brasileiros.
Sob tal ótica, a pesquisa do Datafolha publicada no Jornal folha de São Paulo, revela que os aplicativos empregam 18% da população do país, isso representa mais de 36 milhões de pessoas. Em suma, é verdade que esses não possuem seguro desemprego, fundo de garantia e outras proteções. Contudo, esses possuem uma forma de levar para casa o sustento. Nesse viés, é exatamente a falta de proteção que permite em tempos de crise que essa camada mais humilde da população consiga manter o sustento das famílias. Portanto, regulamenta-los provocaria mais desemprego exatamente para os mais pobres.
Não distante, a pesquisa também aborda a percepção dos entrevistados sobre as condições de trabalho. De acordo com 62% dos entrevistados, estes prefeririam um emprego formal, entretanto, veem os aplicativos como uma boa alternativa em tempos de crise, e não se sentem explorados, uma vez que, podem fazer seus horários e conseguem se manter ativo em um mercado de trabalho cada dia mais exigente. Por fim, os aplicativos contemplam a todos desde o entregador de bicicleta até o engenheiro que perdeu o emprego e tornou se motorista de Uber.
Logo, a exploração trabalhista moderna se difere daquelas de outrora, e para adequar à nova realidade que emerge com à internet, o Governo federal, por meio da Secretária do Emprego e trabalho deve pacificar as relações entre as partes. Para tanto, deve exigir que as empresas não contratem menores, garantir seguro de vida aos entregadores e que estes devem se unir ao MEI(micro empreendedor individual).