A exploração trabalhista na sociedade moderna

Enviada em 08/05/2020

O sucesso literário e cinematográfico britânico, Harry Potter, traz em sua história o personagem Dobby, um elfo que pertence à família bruxa dos Malfoy, e que cuida de toda sua casa, como um servente. Durante a narrativa, percebe-se que seu trabalho extremamente forçado e sem direitos a uma vida digna é a realidade de toda a comunidade dos elfos. fora da ficção, a falta de regularizações laborais e a desigualdade propiciam o serviço exploratório feito por grande parcela do proletariado, que se encontra em uma situação problemática muito parecida com a encontrada no mundo mágico.

Em primeira análise, observa-se que as primeiras leis de defesa ao trabalhador surgiram no Brasil durante o governo de Getúlio Vargas, com a constituição de 1934. Nela, Vargas regularizou aspectos bastantes relevantes, como a proibição do trabalho infantil e a regulamentação da quantidade de horas trabalhadas, que contribuíram para o avanço do Brasil no que tange ao fim dos abusos de trabalho. No entanto, é notório que a preocupação com essa classe social é deveras recente, e que ainda hoje não foi possível acabar com a exploração no âmbito trabalhista, como é o caso dos entregadores por aplicativo, que em uma pesquisa feita pelo jornal El País, mostrou que três em cada dez dos ciclistas que praticam essa modalidade de ofício, ficam mais de 12 horas seguidas trabalhando, o que é uma mazela.

Outrossim, é visto ainda que esse grupo social é prejudicado pela falta de recursos para a capacitação profissional, seja por questões financeiras ou por falta de tempo. Essa realidade também é encontrada por Dobby, que por diversas vezes é incapaz de realizar quaisquer outras atividades se não o trabalho, devido ao grande número de tarefas que o sobrecarregam. Dessa maneira, fica claro que a falta de oportunidade inviabiliza o desenvolvimento profissional desses trabalhadores e os põe em uma situação de desigualdade perante ao mercado de trabalho. Por isso, medidas devem ser tomadas para melhorar a situação dessa classe que se encontra desvalorizada.

Para que essa problemática permaneça apenas na fantasia, é necessário que além da criação de leis por parte do judiciário para a regularização dessas condições indignas de trabalho, haja em cada município, a partir de verbas governamentais, um sistema de apoio ao proletário, com cursos online, gratuitos e profissionalizantes, que podem ser acessados em qualquer horário, por meio do site de cada prefeitura. Esse portal ainda contará com um espaço de atendimento para denúncias de explorações trabalhistas, garantindo assim a fiscalização periódica de empresas e empregadores, bem como mais oportunidades para essa parte da população.