A exploração trabalhista na sociedade moderna
Enviada em 18/05/2020
O modelo de produção fordista, que surgiu no século XIX, alterou a dinâmica de produção ao impor um regime de serviço exploratório ao trabalhadores em troca de baixos salários. Hodiernamente, a exploração ainda é presente e se potencializa, sobretudo, devido à persistente desigualdade social no sistema, que gera impactos nas vidas das pessoas envolvidas.
Mormente, é necessário analisar como a desigualdade na sociedade impacta diretamente na exploração trabalhista. Segundo Marx, sociólogo alemão, a dinâmica social se manifesta em uma constante “luta de classes”, em que a burguesia, detentora dos meios de produção, explora o trabalho do proletariado. Esse pensamento contribui para a questão debatida na medida em que demonstra a existência de uma desigualdade social, que é decorrente de um processo histórico de concentração de renda. Nesse sentido, a parcela detentora dos meios produtivos tende a aumentar seu poder de influência mediante a usurpação das vidas dos trabalhadores. Isso se verifica no estabelecimento de regimes de serviço excessivo a baixos salários e precárias condições, semelhante ao modelo fordista do século XIX.
Em segundo âmbito, o impacto gerado pela “luta de classes” deve ser pontuado. Nessa perspectiva, o filósofo francês Pierre Bourdieu contribui para essa abordagem ao utilizar o termo “violência simbólica” para descrever as violências psicológicas e morais que os indivíduos sofrem sem que haja, necessariamente, coação física. Assim, diante da exploração no meio laboral, há um aumento desse tipo de coação psicológica, uma vez que os explorados sofrem pressões para serem mais produtivos e, como consequência, isso tende a gerar quadros de depressão e transtornos. Ademais, a longo prazo, os trabalhadores tendem a abandonarem os estudos devido à jornada laboral excessiva e ajudam a perpetuar um quadro exploratório social, que encontra meios de superação somente por meio da educação.
Destarte, medidas são imprescindíveis para diminuir a desigualdade social e,consequentemente, a exploração trabalhista. Dessa maneira, cabe ao Ministério da Educação em parceria com o Ministério do Trabalho,por meio do redirecionamento de verbas, potencializar o programa de Ensino de Jovens e Adultos (EJA). Isso deve ser feito de modo a estabelecer a isenção de impostos das empresas que promoverem a inserção de seus trabalhadores no programa de ensino e, além disso, a diminuição da carga horária laboral dos participantes. O objetivo de tal medida é aumentar o número de pessoas na educação formal com a finalidade de promover uma melhor condição de vida a eles e, consequentemente, a desvinculação da exploração trabalhista.