A exploração trabalhista na sociedade moderna

Enviada em 14/05/2020

No livro, “A Rainha Vermelha”, de Victoria Aveyard, a sociedade é dividida pela cor do sangue. Os prateados têm dons mágicos e são privilegiados, já os vermelhos, comuns, trabalham e são explorados pelos primeiros. Fora da ficção, tendo em vista a sociedade moderna, esses “poderes” podem ser comparados à formação profissional, visto que, nem todos têm recursos para tal, e então se submetem à condições precárias de exploração para terem sustento, além de que o bem-estar do empregado é colocado, muitas vezes, em segundo plano.

Primeiramente é importante citar que, com a automação introduzida na Revolução Industrial, o mercado de trabalho exige mão de obra cada vez mais especializada. Todavia, como já foi mencionado, muitos não dispõem das ferramentas necessárias para tal devido à desigualdade de renda e de acesso á educação. Portanto, os não privilegiados, submetem-se à situações de trabalho até mesmo desumanas para garantirem sua subsistência e, assim como os vermelhos na obra de Victoria, enfrentam jornadas de trabalho exaustivas, baixos salários para sobreviverem e não recebem muitas oportunidades de ascensão social.

Outro fator de grande importância, é a indiferença em relação à saúde mental dos funcionários, pois no modo de produção atual, o lucro é colocado em primeiro lugar, acima até do próprio ser humano, dessa maneira, esse sofre com a pressão de ser produtivo. Segundo o Ministério do Trabalho japonês, por exemplo, foram registrados, em 2016, mais de 2 mil casos de suicídio relacionados ao trabalho, parte deles devido ao cansaço por conta dos longos turnos. Portanto, fica explícita a exploração trabalhista na modernidade, assim como no universo fictício de Aveyard, e suas possíveis consequências para a saúde dos operários, como o desenvolvimento de doenças psicossomáticas que, em casos extremos, podem levar os mesmos a retirarem a vida.

Diante dos fatos supracitados, cabe ao Ministério do Trabalho, por meio de fiscalizações, sanções e multas, garantir a aplicação da Consolidação das Leis Trabalhistas(CLT), para assim regulamentar o trabalho e assegurar os direitos dos funcionários, bem como, em parceria com o MEC, proporcionar acesso efetivo à educação e a cursos profissionalizantes para os mesmos, por meio de investimentos, para assim ajudar na democratização de oportunidades de melhora nas condições de vida.