A exploração trabalhista na sociedade moderna

Enviada em 11/05/2020

No filme Tempos Modernos, aborda-se a Revolução Industrial e suas transformações. A mecanização e a coisificação do ser humano é retratada através da personagem Chaplin, que é submetida ao controle rígido de horário e à esteira rolante de produção. Infelizmente, no cenário atual, ainda se observa tal exploração- ditada pela automação dos meios laborais, desemprego e o modelo neoliberal- a qual afeta a vida de milhares de pessoas.

De fato, a vida contemporanea foi “gamificada”. A expressão refere-se ao uso de tecnologias nas relações interpessoais e profissionais, sendo esta última, exemplificada pelos aplicativos Ifood, Amazon e Uber. Nestas plataformas digitais, o “contratado” da empresa deve bater metas como empilhar mais livros nos depósitos da Amazon ou trabalhar mais horas do que o combinado no Uber e Ifood para ganhar um bonus salarial ou outro tipo de recompensa.Dessa forma, a questão problemática é que nem sempre o empregado possui carteira assinada, nem possui seus direitos assegurados pela empresa, a qual pode ser que nem tenha um espaço físico. A elevada carga de trabalho sem descanso ou férias remuneradas afeta o trabalhador negativamente, impactando sua saúde mental e física.

Ademais, milhares de indivíduos se sujeitam à exploração de sua mão de obra por falta de recursos e de escolha. No Brasil, por exemplo, são aproximadamente 13 milhões de desempregados que aceitariam qualquer forma de serviço, mesmo que precarizado. Porque há uma necessidade cada vez maior de profissionais muito especializados, porém em pequena quantidade, ocasiona-se a formação de um “exército de trabalhadores de reserva”, conforme a expressão utilizada pelo sociólogo Marx. Segundo o autor do livro “O Capital”, os empregadores se aproveitam da alienação e necessidade do proletário a fim de obter o máximo de lucro. Assim, a ideologia do lucro aplica-se no neoliberalismo, marcado pelo corte de gastos com o bem estar dos subordinados e flexibilização dos direitos trabalhistas. Por isso, existem jovens menores de idade que trabalham até 14 horas nas entregas de comidas pelo aplicativo Uber sem carteira registrada.

Portanto, medidas são necessárias para minimizar a exploração do trabalho na sociedade moderna. O Ministério do Trabalho deve fiscalizar as empresas contratadoras, por meio de envio de agentes que irão verificar a situação dos empregados, se possuem ou não carteira assinada e se recebem no mínimo um salário digno sem extrapolarem o horário normal de 8 horas de labor. Para aquelas empresas que estiverem irregulares com seus funcionários, estes fiscais deverão aplicar uma multa, já constante no Código Penal Brasileiro, mas que deverá ser revista e maximizada pelo Congresso Nacional. Desta maneira, espera-se que o exército de reserva possa batalhar por melhores condições.