A exploração trabalhista na sociedade moderna
Enviada em 12/05/2020
O filme “Tempos modernos” denuncia de forma cômica a exploração ao qual o trabalhador era submetido no século XVIII. Entretanto, fora dos limites cinematográficos, isso é um problema que se manteve mesmo com o passar dos séculos e é perceptível na sociedade contemporânea. Para solucioná-lo , é preciso compreender, a priori, como as questões históricas e tecnológicas corroboram esse quadro.
Em primeiro plano, é importante destacar que esse tópico apresenta profundas raízes históricas que provocam mazelas atualmente. Isso porque durante a Revolução Industrial o homem foi explorado ao vender sua força de trabalho, enquanto os donos dos meios de produção enriqueciam as custas disso, como preconizou Karl Marx na definição da mais-valia. Sob essa perspectiva, ocorre que essa exploração não ficou limitada a esse contexto, apesar de Leis trabalhistas terem sido sancionadas no Governo Vargas - no que tange ao Brasil- e modificações terem acontecido no sistema capitalista. Prova disso são as denúncias recentes de trabalho análogo à escravidão pela grife “Zara” em 2011. Dessa forma, enquanto o governo se mantiver inérte para fiscalizar e combater isso, e a lógica capitalista for a regra acima de tudo, direitos trabalhistas serão exceção.
Outrossim, as tecnologias também são uma das causas da persistência dessa problemática. A respeito disso, o geográfico Milton Santos afirma que a globalização e os seus efeitos atingiriam as sociedades de forma desigual. Sob esse viés, é viável afirmar que a classe de trabalhadores informais se enquadra nesse tópico de disparidades. Isso pode ser elucidado quando se observa que as modernizações, embora tenho sido pioneiras de uma classe de serviços como entregadores de aplicativos ainda desfavorecem a regulamentação desse tipo de trabalho, já que esses enfrentam jornadas superiores a 24 horas e um salário menor que o mínimo de acordo com uma pesquisa da Associação Aliança Bike. Desse modo, é necessário que as leis trabalhistas sejam modificadas para que essa nova categoria de profissionais seja protegida da exploração.
Fica evidente, portanto, que pilares históricos e tecnológicos são fundamentais para compreender a exploração trabalhista na sociedade contemporânea. Com o fito de evitar que essas situações continuem a ocorrer, é necessário que o Governo - na figura de Poder Legislativo- por intermédio da elaboração de um projeto de Lei, regularize o trabalho dos entregadores de aplicativo, estipulando carga horária e salário fixo. Além disso, as mídias televisivas e sociais, por meio de propagandas devem estimular a sociedade a denunciar qualquer atividade suspeita de trabalho escravo. Assim, a longo prazo, a exploração do trabalhador poderá ficar limitada ao cenário fictício dos filmes.