A exploração trabalhista na sociedade moderna

Enviada em 12/05/2020

Em 1914, Henry Ford fundava um sistema de trabalho compulsivo e de produção massiva, nomeado como Fordismo. Esse método é um dos primeiros indícios históricos que a obtenção de lucro do empregador, por meio da exploração trabalhista, será o objetivo final de todo trabalho, sendo mais importante que a saúde do empregado. Do mesmo modo, embora haja leis e entidades que protegem o trabalhador, a exploração, o objetivo e a importância do lucro permanecem nos dias de hoje igual ao século passado, fazendo com que a sociedade e o  patrão empreguem estratégias de alienação para manter o operário submisso às suas vontades e causando danos psicológicos ao trabalhador.

Como dito, o patrão e a própria sociedade empregam estratégias de alienação para normalizar a exploração trabalhista e manter o trabalhador submisso a ela. Para evidenciar isso, basta pensar na frase “O trabalho dignifica o homem”, dita pelo sociólogo Max Weber, que cria uma tendência a idealizar o trabalho em excesso como algo bom, já que ela coloca o ofício como algo enobrecedor. Outro exemplo é a frequência de fotos compartilhadas na internet que mostram algum trabalhador em situação precária seguida de frases como " Qual é sua desculpa ?". Desta forma, o trabalho realizado em condições péssimas é romantizado, e assim, todos esses discursos normalizam a exploração trabalhista e deixa o trabalhador alienado, achando que o que ele faz é nobre e não desumano.

Dessa maneira, o trabalhador alienado pelos discursos ditos, terá danos à sua saúde mental enquanto trabalha em excesso para otimizar os lucros do patrão. Para ilustrar a situação, basta olhar a manchete do jornal “Terra”, que diz que excesso de trabalho e cuidados pessoais de menos afetam saúde de trabalhadores paulistas. Por conta desse tipo de cenário, a Organização Mundial da Saúde (OMS) enquadrou a Síndrome de Burnout, que é um distúrbio psíquico causado pelo stress físico e mental em decorrência do trabalho intenso, como doença, em 2019. Portanto, é nítido que a exploração do trabalho causa prejuízos psicológicos.

Em suma, a exploração trabalhista em função de aumentar os lucros do patrão não é algo novo, e se mantem até hoje por meio de uma estrutura social que tende a romantizar o uso abusivo da mão de oba salariada, desta forma, causando danos psicológicos ao trabalhador e tornando necessária algumas medidas para resolver o problema. Uma solução seria as escolas ensinarem às crianças, por meio de palestras, que apesar de o trabalho ser algo digno, esse discurso não pode legitimar a exploração trabalhista, a fim de que elas cresçam e não aceitem ou perpetuem essa prática. Outra medida seria o governo estabelecer que o patrão deve dar um auxílio para o trabalhador se consultar com psicólogos, para que assim, ele seja orientado a tomar atitudes que beneficiarão a sua saúde mental.