A exploração trabalhista na sociedade moderna
Enviada em 15/05/2020
Os meios de trabalho, no século XVIII, sofreram profundas alterações em decorrência da Revolução Industrial, movimento que marcou o primeiro passo para a ascensão do capitalismo. Desde então, a sociedade vivenciou diversas transformações, dentre elas o surgimento e concretização das leis trabalhistas, que visavam uma realidade mais justa, em contraste da anteriormente vivenciada. Ainda assim, embora as evoluções sejam notáveis, a exploração continua existindo, desencadeada pela ausência de oportunidades democráticas e pelo descaso com a saúde dos trabalhadores.
Em primeiro plano, é indubitável que, com o passar dos anos, o mercado de trabalho transformou-se em um cenário cada vez mais exigente; para obter uma vaga cujo salário e condições laborais são satisfatórios, o trabalhador necessita cumprir pré-requisitos, como formação superior, que, infelizmente, são inalcançáveis para boa parte da população. Segundo dados divulgados em 2019 pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), cerca de 18% dos brasileiros possui graduação em universidade; o índice desponta como inferior em relação a outros países latino-americanos e reflete uma realidade que demonstra presente desigualdade econômica e carência no acesso à educação. Em decorrência dessa mazela, boa parte dos cidadãos se submete a empregos cujo o baixo salário e as condições insalubres favorecem a já existente exploração trabalhista no Brasil.
Parafraseando o filósofo Karl Marx, “as ideias dominantes nunca passaram das ideias da classe dominante”; do mesmo modo, na sociedade capitalista, os interesses daqueles que estão no topo da hierarquia e visam ao lucro prevalecem sobre o bem-estar e as necessidades dos empregados. Nota-se que cada vez mais trabalhadores sofrem em decorrência de desgaste mental, um fator associado a transtornos como a depressão, que, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), afeta cerca de 264 milhões de pessoas e desponta como a principal causa de incapacidade. Desse modo, o discurso da “meritocracia” leva os proletários a crerem que, caso se submetam a uma jornada exaustiva, alcançarão o sucesso profissional, quando, em muitos casos, as recompensas são mínimas.
Diante de tais fatores, torna-se evidente que a exploração trabalhista é uma mazela grave que afeta diretamente as camadas menos abastadas da sociedade, assim como prejudica o bem-estar dos cidadãos. Portanto, cabe ao Ministério do Trabalho, juntamente das empresas e instituições privadas, garantir a capacitação do trabalhador através de cursos técnicos preparatórios; ademais, é vital zelar pela saúde dos empregados por intermédio de acompanhamento com profissionais adequados no ambiente laboral. Assim, é possível minimizar eventuais danos causados pela negligência e assegurar que a insalubridade se mantenha, esperançosamente, apenas no século XVIII.