A exploração trabalhista na sociedade moderna

Enviada em 16/05/2020

A revolução industrial, que teve início na Europa do século XVIII, foi marcada pela transformação dos modos de produção: processo no qual há passagem da manufatura para maquinofatura. Embora a mudança tenha sido vantajosa do ponto de vista científico e econômico, suas consequências foram marcantes para futuras gerações; dessas, podem se destacar o agravamento no processo de alienação e desrespeito à dignidade humana, além da crescente tentativa social de fuga da realidade por meio do uso de entorpecentes.

Em  princípio, cabe analisar a exploração trabalhista na perspectiva do pensador alemão Karl Marx, contemporâneo à revolução industrial. Esse, aponta a nova forma de produção como causadora de desigualdade social,  uma vez que a distribuição assimétrica dos lucros, associada ao ritmo frenético de produção e consumo impostos pelo novo modelo traz vantagens apenas a um pequeno grupo de pessoas. Nessa ótica, as consequências estabelecidas para esse modelo são as seguintes: desconstrução da dignidade individual e alienação, uma vez que a submissão, oriunda da necessidade, força o indivíduo às mais variadas condições de trabalho; tal como cargas horárias excessivas e exposição a ambientes insalubres de forma irregular. Ademais, no quesito alienativo, surge a falta de autonomia e poder de escolha, consequência histórica da conjuntura capitalista, que garante maior consumo e menores reivindicações à medida que se suprime informações relevantes à sociedade.

Ademais, no que tange às condições psicossociais dos indivíduos, percebe-se o crescente uso de entorpecentes com o objetivo de mitigar sentimentos depressivos frente à difícil realidade, composta por longas cargas horárias, opressão trabalhista e baixos salários. Nesse cenário, pode-se traçar o perfil histórico comportamental do ser humano diante de períodos de extremo desgaste emocional: na idade média, a Igreja Católica; na revolução supracitada, o álcool e o ópio; ambos anestesiaram corpo e mente da população em situação de sofrimento. Porém, atualmente, o desrespeito aos limites físicos e emocionais das pessoas, associado ao surgimento e facilidade na obtenção de drogas potencialmente perigosas, torna o aperfeiçoamento da ética trabalhista um fator imprescindível na saúde pública da sociedade moderna.

Em suma, as relações de trabalho devem atingir estabilidade entre as necessidades dos empregadores e empregados. Nesse contexto, o Governo pode conferir maior rigor nas punições com relação aos desrespeitos à constituição trabalhista. Sob tal ótica, podem ser legisladas medidas como: em caso de exploração trabalhista, alem da quitação de todos encargos ao empregado, uma multa deve ser cobrada e seu valor destinado à construção de casas de apoio a dependentes químicos.