A exploração trabalhista na sociedade moderna
Enviada em 20/05/2020
Segundo o sociólogo britânico Thomas H. Marshall, a cidadania substantiva representa a expansão dos direitos sociais, políticos e civis para toda a população de uma nação. No entanto, ao analisar a realidade da exploração trabalhista na sociedade moderna, percebe-se, assim, um corpo social distante dessa visão de cidadania. Isso é decorrente da falta de respeito às leis, mas também do avanço do neoliberalismo.
Em primeiro lugar, apesar da Constituição Cidadã assegurar direitos que preservam a dignidade do trabalhador, como feiras remuneradas e carga horária de no máximo 8 horas ao dia, nota-se uma realidade que se distância dessas leis. Ademais, o trabalho análogo a escravidão se tornou uma constância no tecido social, em que inúmeras empresas tanto no contexto nacional e internacional já foram denunciadas por praticarem essa ação. Diante disso, a negligência à legislação reverbera o enigma da Modernidade elucidado pelo filósofo Henrique de Lima, em que a civilização é tão avançada em suas razões teóricas e tão indigente em suas razões éticas.
Além disso, esse cenário de exploração trabalhista também evidencia o avanço dos ideais neoliberais no seio social. Dado que, segundo o geógrafo Milton Santos, o neoliberalismo fomenta um Estado Mínimo, pois esse busca enxugar a sua do Poder Público, com intuito de preconizar o mercado financeiro. Consoante a isso, em um sistema que busca a maximização do lucro em detrimento dos direitos humanos, nota-se que conjunturas como, de longa jornada de trabalho com baixa remuneração serão uma vertente no contexto social.
Portanto, para mudar esse quadro, faz necessário que a mídia em parceria com as ONGs (Organização não governamental) construa comerciais que conscientizem a população sobre a necessidade de combater a exploração trabalhista. Para tanto, essas propagandas exibirão a realidade desumana que muitos trabalhadores estão submetidos e em certos contextos, até em realidade análoga à escravidão. A fim de que, assim, os cidadãos venham pressionar o governo a exercer a sua função de social de preservar as leis trabalhistas e punir quem as desrespeitarem. E, assim, consequentemente, freia a ação do neoliberalismo. Diante disso, garantir-se-á a cidadania substantiva exposta por Thomas Marshall.