A exploração trabalhista na sociedade moderna
Enviada em 22/05/2020
Escravos urbanos
Dificuldades financeiras. Madrugadas em filas. Exclusão social. Essa é a realidade dos chamados “invisíveis” - brasileiros que trabalham sem vínculo empregatício e direitos trabalhistas -, que no atual cenário de Pandemia, viram-se obrigados a procurar auxílio governamental para se manterem. Tal quadro caótico revela a dependência econômica do fenômeno de Uberização, que figura como exploração trabalhista de uma parcela mais vulnerável da sociedade.
Em primeiro lugar, é fundamental entender o caráter sócio-cultural das relações de trabalho no Brasil. Nesse sentido, ainda no século XIX, senhores de engenho utilizavam-se da mão de obra dos escravos de ganho, que eram liberados para comercializar produtos agrícolas, quitutes, além de desempenhar outras funções na cidade. Em contrapartida, esses cativos davam a eles, parte dos lucros de seu trabalho extra. Apesar do salto temporal e das mudanças de modelo econômico, o desequilíbrio dessa relação trabalhista ainda é notado entre os motoristas e entregadores de aplicativos, os quais precisam cumprir exaustivas jornadas, utilizando seus próprios veículos, desprovidos de quaisquer direitos e descanso e recebendo comparativamente menos que as empresas detentoras da tecnologia.
Além dessa construção social que é fruto de uma dívida histórica, o neoliberalismo econômico atual perpetua a exploração dessa classe desprovida de direitos. Embora, a globalização tenha promovido a ideia de aproximação, conexão, e o desenvolvimento do capital humano, no qual o indivíduo seria o “empreendedor dele mesmo”, essas vantagens não abrangem a todos. De acordo com o conceituado geógrafo Milton Santos, esse processo é excludente por acentuar as desigualdades internas entre aqueles que não têm como inserir-se nesse novo cenário. Nesse sentido, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) corrobora essa tese ao constatar que 25% da força de trabalho é subutilizada. São jovens e pessoas em vulnerabilidade, que não possuem tempo e condições financeiras de se qualificarem, sujeitando-se assim, a subempregos para sobreviver.
A exploração moderna, portanto, deve ser combatida e isso vai além das medidas afirmativas já existentes. Envolve uma reforma educacional e investimento em Tecno-polos, como as universidades, fortalecendo a pesquisa e o desenvolvimento, promovidos pelo Ministério da Cidadania, Tecnologia e Ciência, resultando assim, em serviços para a comunidade. Dessa forma, melhorando os índices de desenvolvimento humano, tão importantes para atrair investimentos e cooperação de blocos econômicos, teremos de fato, uma sociedade autônoma e agregadora em todos os aspectos.